Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Letra de Médico Por Cilene Pereira Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Os avanços no cuidado do paciente com câncer no contexto da pandemia

Pesquisas com potencial para mudar a prática no consultório e a vida dos doentes foram apresentadas em importante congresso sobre o assunto

Por Fernando Maluf 21 abr 2021, 09h31

Os estudos mais importantes e promissores para o tratamento do câncer foram apontados no documento Clinical Cancer Advances 2021, divulgado recentemente pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco). São pesquisas com potencial para mudar a prática no consultório e a vida dos pacientes.

O perfil molecular em vários tumores como os gastrointestinais, que permitiu melhorar o prognóstico dos pacientes, escolhendo a intervenção mais apropriada, foi selecionado como o Avanço do Ano. Os estudos selecionados também destacam o papel da imunoterapia, de drogas mais inteligentes e de combinação de tratamentos, com maior eficácia.

Entre os principais avanços listados, podemos destacar o progresso de terapias direcionadas para pacientes com doença em estágio inicial, as abordagens de tratamento baseadas em biomarcadores que oferecem cuidados mais personalizados para câncer de pulmão, colorretal e gástrico, um número crescente de terapias direcionadas que oferecem sobrevida estendida para mais pacientes com tumores de difícil tratamento.

Entramos em uma era interessante, com diversas opções de terapias, que vão servir para alguns pacientes melhor do que para outros e, agora, conseguimos saber quem vai conseguir os melhores benefícios.

Utilizo como exemplo o câncer de bexiga, que é um tumor comum no Brasil, com mais de 10 mil novos casos por ano, uma doença agressiva e associada ao tabagismo. Um estudo apresentado há poucas semanas mostrou que, para quem tem um tumor operado e localmente avançado, um novo imunoterápico consegue prevenir uma recorrência da doença num número significativo de pacientes. Do mesmo modo, para aqueles homens e mulheres com casos mais avançados, imunoterápicos parecidos conseguem evitar a progressão da doença e até eventualmente curar pacientes que eram ditos incuráveis.

Isso vale para os tumores de fígado e intestino. O câncer de fígado é tratado hoje com imunoterapia e uma droga inteligente que bloqueia os vasos do tumor, evitando que ele receba oxigênio e alimento. Para intestino, a imunoterapia também é utilizada com sucesso no tipo de câncer que tem uma alteração molecular específica chamada instabilidade de microssatélites. Quando esta mutação está presente, o medicamento imunoterápico funciona incrivelmente melhor do que a quimioterapia, reduzindo o risco de morte em 50%.

Continua após a publicidade

A imunoterapia também ganha espaço nos tratamentos de tumores de mama triplo negativo, tanto evitando uma recidiva quanto para a doença metastática.

O relatório deste ano das Asco propõe, ainda, um debate sobre a equidade no acesso à saúde. Uma questão relevante, principalmente no contexto da pandemia, em que o diagnóstico e o tratamento do câncer sofreram enormes prejuízos.

Neste momento, quem tem diagnóstico de câncer e está em tratamento deve conversar com o médico para que exista uma harmonia entre o que há de melhor no cuidado oncológico e a proteção contra o coronavírus.

Aqui no Brasil, o Instituto Vencer o Câncer continua o trabalho pela aprovação de um projeto de lei para aumentar o acesso a remédios orais contra a doença. A proposta pretende garantir o direito de 50 mil pacientes usuários de planos de saúde. O PL já foi aprovado no Senado, no ano passado, e espera para ser pautado na Câmara. Os remédios orais são fundamentais para pacientes com câncer porque, além de serem melhores em vários aspectos, permitem que o paciente não precise sair de casa para receber a medicação. O distanciamento social, aliado ao uso de máscaras e à vacina, são as medidas mais eficientes para o controle da pandemia.

Da mesma forma, precisamos garantir a vacinação das pessoas com câncer. E, quando a vacina estiver disponível para aquele paciente, que ele seja imunizado. Os imunizantes aprovados e disponíveis neste momento não têm nenhuma contraindicação. Mesmo imunizado, o paciente deve seguir as regras de prevenção. Caso haja qualquer sintoma, o médico deve ser informado, mesmo que sejam sinais simples. É hora de manter atenção total nos cuidados, mas não abandonar o tratamento. O câncer não espera.

Letra de Médico - Fernando Cotait Maluf
Ricardo Matsukawa/VEJA.com
Continua após a publicidade


Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês