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Intoxicação por metanol: um risco para todos nós

Esse é um momento de cautela em que as autoridades precisam fortalecer o combate ao crime de adulteração de bebidas; veja como se prevenir

Por Renato de Ávila Kfouri*
23 out 2025, 08h00 •
  • Desde agosto, notificações relacionadas à suspeita de ingestão de bebida alcoólica contaminada por metanol têm chegado ao Ministério da Saúde. Inicialmente relatadas pelo estado de São Paulo, começaram a se espalhar rapidamente. Os boletins federais e notas recentes relatam centenas de notificações e registros em investigação, dezenas de casos confirmados por laboratório e algumas mortes confirmadas ou em investigação — os números variam conforme atualização dos estados.

    A Organização Panamericana da Saúde (OPAS) emitiu alerta epidemiológico para a região das Américas sobre o risco de surtos de metanol e citou os casos recentes no Brasil. As autoridades brasileiras também passaram a distribuir um antídoto e a orientar estados e municípios para o enfrentamento desta situação.

    Mas afinal, qual o risco do consumo de metanol para o ser humano? É preciso entender que o metanol em si tem toxicidade limitada: o principal problema são seus metabólitos. No fígado, e em menor grau na mucosa gástrica, a enzima álcool desidrogenase (ADH) converte metanol em formaldeído. Em seguida, outra enzima, a aldeído desidrogenase (ALDH), converte formaldeído em ácido fórmico (formato).

    É justamente o ácido fórmico que causa a maior parte da toxidade: ele inibe a cadeia respiratória da mitocôndria (responsável pela respiração celular), causando falta de oxigenação nos tecidos e acidose metabólica, com grande toxicidade para o nervo óptico — resultando em visão borrada, “visão de neve” ou cegueira.

    Embora a intoxicação possa acometer qualquer indivíduo, algumas pessoas têm maior risco de desenvolverem formas graves: pessoas que consomem bebidas destiladas de procedência desconhecida ou clandestinas (principal via de surtos), indivíduos com baixo peso corporal, pessoas com deficiência de folato (porque folato facilita a metabolização), pessoas que apresentam atraso no atendimento (sintomas podem aparecer tardiamente) e o atraso aumenta risco de dano irreversível, e em termos ocupacionais, exposição maciça por inalação ou contato também pode ser grave, mas surtos por ingestão são muito mais comuns.

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    Como evitar intoxicações?

    • Não consumir bebidas destiladas ou alcoólicas de procedência desconhecida, sem rótulo, sem lacre ou sem selo fiscal
    • Evite “shots grátis” ou bebidas oferecidas em recipientes não lacrados
    • Se houver suspeita de bebida adulterada em um bar ou estabelecimento, não beba mais; avise a vigilância sanitária local e, se possível, guarde a garrafa/frasco (rótulo e lacre) para análise
    • Conheça os sinais iniciais que nem sempre são fáceis de distinguir de uma ressaca comum: sensação de embriaguez persistente, náuseas, vômitos, dor abdominal, tontura, dor de cabeça e sintomas visuais (borrar a visão, luzes em “neve”) podem surgir horas depois (tipicamente 6 a 72 horas). Procure atendimento médico imediato se houver suspeita
    •  Evite automedicação; não há “antiácido caseiro” que previna a toxicidade. Em suspeita grave, o tratamento específico deve ser feito em serviço de emergência, com antídotos específicos se indicados

    O Ministério da Saúde brasileiro começou a distribuir lotes do antídoto (fomepizol) e orientou os serviços de saúde sobre manejo adequado dos casos e notificação.

    Embora extremamente grave, esse não é um problema novo. Surtos por ingestão de metanol ocorrem há décadas e são tipicamente associados a bebidas adulteradas ou produção clandestina. Há relatos históricos em vários países: Índia, Irã, Peru, Laos, Rússia, entre outros, e mesmo o Brasil no passado.

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    Em resumo, esse é um momento de cautela em que as autoridades precisam fortalecer o combate ao crime de adulteração de bebidas, que coloca em risco a saúde de todos nós.

    *Renato de Ávila Kfouri é pediatra infectologista, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Grupo Consultivo Estratégico sobre Doenças Preveníveis por Vacinas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)

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