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Letra de Médico

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Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Assédio moral é fator de risco cardiovascular para mulheres

Um tipo específico de violência psicológica, o gaslighting, contribui para menosprezar sintomas que podem indicar doenças graves

Por Maria Cristina Izar e Francisco Fonseca*
3 fev 2026, 08h00 • Atualizado em 3 fev 2026, 08h30
  • Em 1944 foi lançado nos Estados Unidos o filme Gaslight, um suspense psicológico sobre um marido que, por interesses financeiros, planeja internar a esposa em um hospital psiquiátrico. Para isso, ele cria situações a fim de deixá-la confusa e insegura. Uma das ações consiste em alterar o brilho das lâmpadas a gás da casa, mas negar o feito, suscitando a ideia de loucura.

    Devido à temática, o filme foi responsável por batizar um tipo específico de assédio que acomete, na grande maioria, mulheres: o gaslighting, manipulação psicológica para desestabilizar emocionalmente a vítima tornando-a vulnerável. É praticado por pessoas próximas e o resultado e as consequências incluem falta de autoconfiança, isolamento social e ansiedade constante perto do agressor, geralmente um homem.

    A epidemiologia do gaslighting em nosso país e no mundo ainda é emergente, com estudos concentrados nos Estados Unidos, Canadá, Itália, Paquistão, Inglaterra, Irlanda, Israel e Austrália. No Brasil, gaslighting está enquadrado como crime pela Lei nº 14.188/2021, pois trata-se de uma violência que leva a impactos sérios na saúde mental e física de quem sofre o abuso.

    Esses impactos incluem fatores de risco para doenças cardiovasculares e essa relação é feita por dois caminhos distintos: estudos mostram que aquelas que são submetidas a situações assim, incluindo gaslighting, têm 41% mais possibilidades de desenvolver DCVs. Além disso, também estão sujeitas ao “gaslighting médico”, quando os profissionais de saúde, normalmente homens, minimizam ou ignoram sintomas e queixas femininas, convencendo-as de que está tudo bem, gerando constrangimento e resiliência. Muitas vezes, a própria paciente sai do consultório desacreditando que o que sente possa significar um problema de saúde. Porém, quando a triagem correta não é feita, haverá atrasos no diagnóstico e no início do tratamento de doenças cardíacas, aumentando as chances de mortalidade.​

    O gaslighting é mais um item no extenso ranking feminino de riscos cardiovasculares exclusivos. As probabilidades de mulheres desenvolverem DCVs são maiores, pois, além dos fatores convencionais, ainda há aqueles provenientes da condição feminina, como menopausa, hipertensão e diabetes gestacionais. Somam-se a isso as patologias ligadas à saúde mental, como ansiedade e depressão, que, tanto por questões hormonais quanto pelo excesso de responsabilidades que pesam sobre os ombros femininos, são mais incidentes nesse público. Apesar disso, historicamente, elas são subdiagnosticadas e subtratadas.

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    Em parte, isso ocorre porque os sintomas femininos que denotam algo errado com o coração são menos característicos do que nos homens: fadiga incomum, falta de ar, náuseas, vômitos, suor excessivo, dor no abdômen, costas, pescoço, mandíbula ou garganta. Além disso, há também a autonegligência. Ao priorizar o bem-estar da família e as responsabilidades da rotina, não raro, mesmo sentindo incômodos, as mulheres “deixam para lá” e seguem a vida.

    Afastando os perigos

    Assim como os fatores que levam às DCVs em mulheres são plurais, a prevenção e as medidas de contingência também devem ser. Em cada fase há necessidade de um controle específico e nada deve ser menosprezado. Já para driblar o gaslighting, especialmente o que ocorre em consultórios, há uma série de medidas que podem ser tomadas. Entre elas, vá à consulta documentada: registre as ocorrências detalhadamente, com datas e periodicidade, identificando em quais situações ocorre, por exemplo, falta de ar ou cansaço. Caso se sinta insegura, vale ir com um acompanhante que ajude a reforçar informações durante o atendimento.

    Não tenha receio de perguntar sobre suas dúvidas bem como questionar a necessidade de exames que possam dar pistas sobre a origem de suas queixas. E o mais importante: se o parecer do médico não for conclusivo ou deixar a sensação de desconforto, recorra a um segundo profissional. Mas nunca menospreze sintomas. Eles são o único alerta de que algo não vai bem com o nosso corpo.

    *Maria Cristina Izar é cardiologista, presidente da SOCESP (biênio 2024/2025) e professora adjunta livre-docente da Disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo. Francisco Fonseca é cardiologista e presidente do 46º Congresso da SOCESP

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