O valor do Censo em biscoitos
Dinheiro reservado para o Censo no orçamento equivale àquilo que o governo gastou no ano passado nas compras de biscoitos para o lanche nos ministérios
O governo aposta numa decisão do juiz Marco Aurelio Mello, do Supremo Tribunal Federal, a favor da realização do Censo a partir de agosto do próximo ano. Mandou ao gabinete de Mello uma avaliação do próprio IBGE: “Não há riscos neste cenário, além da postergação da divulgação de resultados apenas no final de 2022 / início de 2023.”
O Censo estava previsto para este ano, com reserva de R$ 2 bilhões no orçamento. Numa esdrúxula engenharia política entre o Palácio do Planalto e o Congresso, o dinheiro foi cortado para apenas R$ 71 milhões. Esse valor caiu ainda mais, para R$ 53 milhões, quando Jair Bolsonaro sancionou a lei orçamentária do ano.
O juiz, em decisão liminar, considerou inconstitucional a suspensão do Censo neste ano. O governo acredita que Mello vai voltar atrás porque não haveria mais tempo. Para manter, seria necessário mandar o Executivo preparar e enviar ao Congresso um novo projeto de lei prevendo alteração no orçamento já sancionado. Ainda que o Legislativo demonstrasse boa vontade, aprovando rapidamente, só depois da promulgação da nova lei, o IBGE poderia retomar os preparativos para Censo.
No fim das contas produziu-se um curioso retrato do Brasil de Jair Bolsonaro, do Centrão, dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco: o volume de dinheiro (R$ 53 milhões) reservado para o Censo no atual orçamento federal equivale àquilo que o governo gastou no ano passado nas compras de biscoitos para o lanche nos ministérios (R$ 50 milhões).
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