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Um olhar jornalístico sobre relacionamento, sexo e comportamento

Como se proteger do ‘golpe do amor’

Criminosos usam apps de relacionamento para sequestrar e extorquir vítimas

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jan 2026, 15h05 •
  • Uma palavra-código, combinada como plano de segurança após uma experiência prévia com o “golpe do amor”, foi decisiva para o resgate do juiz Samuel de Oliveira Magro, sequestrado por uma quadrilha especializada em São Paulo. O caso, que envolve uma perigosa evolução dessa modalidade criminosa, começou na noite do último domingo, 18, quando o magistrado foi abordado à força na Avenida Rebouças, na zona oeste da capital, e levado para um cativeiro em Osasco.

    Durante mais de 30 horas de cativeiro, na manhã de terça-feira, 20, os criminosos permitiram que o juiz atendesse uma ligação de seu marido. Sob ameaça, Samuel Magro conseguiu inserir na conversa a senha previamente acertada entre os dois, um sinal discreto de que estava em perigo. Imediatamente após a ligação, o companheiro acionou a polícia. A senha, que não foi revelada, foi a pista crucial que levou as equipes da Delegacia Antissequestro (DAS/DOPE) e do Garra até o local do cativeiro, ainda na mesma manhã, resultando na libertação do juiz e na prisão em flagrante dos cinco integrantes da quadrilha.

    A investigação aponta que a vítima já havia sido alvo do “golpe do amor” em 2021 — crime em que bandidos usam aplicativos de relacionamento para aplicar roubos, extorsões e sequestros. Foi essa experiência traumática que o levou a criar o protocolo de segurança com a palavra-código. Inicialmente tratado como um sequestro-relâmpago oportunista, o caso agora é investigado também sob a hipótese de ter ligação com a mesma modalidade de golpe, indicando que os criminosos podem ter mirado o juiz a partir de informações obtidas anteriormente no ambiente virtual.

    Veja dicas para evitar cair nesse tipo de emboscada amorosa, sobretudo em aplicativos de relacionamento:

    • Desconfie de intimidade rápida: Relacionamentos que evoluem muito rápido em aplicativos, com declarações intensas em pouco tempo, são um sinal de alerta.
    • Rejeite pedidos financeiros: Nunca envie dinheiro, nem por Pix ou transferência, para alguém que conheceu online, mesmo que a justificativa pareça urgente ou convincente (como uma emergência médica ou problema jurídico).
    • Proteja dados pessoais: Não compartilhe detalhes como endereço residencial, local de trabalho, rotina ou documentos com pessoas que não conhece pessoalmente e bem.
    • Marque encontros em locais públicos: Para o primeiro contato presencial, escolha sempre lugares movimentados, como cafés ou shoppings, e evite aceitar carona ou ir para locais isolados.
    • Informe alguém de confiança: Sempre avise um amigo ou familiar sobre com quem você vai se encontrar, onde e quando, combinando um check-in após o encontro.
    • Tenha uma palavra-código: Crie uma senha combinada com pessoas próximas para ser usada em uma ligação ou mensagem caso esteja sob coerção, indicando perigo real sem levantar suspeitas do criminoso. Esta medida foi crucial no caso do juiz Samuel.
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