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Isabela Boscov Por Coluna Está sendo lançado, saiu faz tempo? É clássico, é curiosidade? Tanto faz: se passa em alguma tela, está valendo comentar. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Esquadrão Suicida

Aventura dos anti-heróis sofre de crise de identidade – e esta é a melhor hora para a DC parar de pensar na Marvel e estabelecer as suas próprias regras

Por Isabela Boscov Atualizado em 16 jan 2017, 15h07 - Publicado em 5 ago 2016, 00h49

Veja aqui a vídeo-resenha


Quando um filme já começa emendando três singles, sem pausa – um para cada novo personagem que entra em cena –, pode ter certeza: se ele precisa de um DJ para animar a festa é porque há problemas à vista, e ele está tentando consertar com música aquilo que não pode ser reparado de outra maneira. Concebido e em grande parte filmado como uma aventura cheia de sombras e drama, Esquadrão Suicida teve de passar por uma metamorfose quando as filmagens estavam já prestes a ser concluídas. O filme da DC Comics foi atingido por dois abalos. Primeiro, o sucesso do escrachado Deadpool, da rival Marvel; segundo, a reação desfavorável à pegada pesadona do seu Batman vs. Superman. Toca reformular tudo – e o diretor David Ayer, escolhido justamente por causa de sua vocação para as tintas escuras (como em Corações de Ferro e Marcados para Morrer), teve de refazer cenas, acrescentar novas passagens e, acima de tudo, tentar encontrar em si uma veia cômica e anárquica.

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Essa veia, porém, não existe na anatomia de Ayer. Quando estão em cena atores que conseguem dissecá-la por conta própria, a coisa funciona: Margot Robbie (essa supernova chamada Arlequina), Viola Davis, Will Smith, David Harbour e em certa medida Joel Kinnaman – esses sabem pegar uma fala e tirar todo o sumo dela, ou cravar o timing de uma cena que de outra forma terminaria no chão. Outro que vai muito bem, mas pelas razões opostas, é Jay Hernandez. No papel de Diablo, o meta-humano pirotécnico que abdicou da violência, Hernandez é um primor de equilíbrio e precisão, e tem tanta personalidade que se destaca sem esforço aparente. David Ayer, cuja vocação natural é mesmo o drama, parece soltar a respiração nas cenas com ele.

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Aí chega-se àquela zona do elenco que tanto fez como tanto faz – Cara Delevingne, Jai Courtney, Adewale Akinnuoye-Akbaje, Karen Fukuhara, Adam Beach. Nem é o caso de culpar os atores (exceto por Cara; ela é sem graça mesmo). O roteiro é que não se dá ao trabalho de desenvolver os personagens deles – e aí não há quem faça milagre. Por fim, a minha maior decepção: o Coringa. O trabalho de Jared Leto sofre se comparado ao de Jack Nicholson, e fica pífio quando contrastado àquela estupenda viagem ao coração das trevas feita por Heath Ledger. Mas seria fraco ainda que não houvesse termo de comparação: o Coringa de Leto é monótono, petulante e superficial. Arlequina é mesmo doida. Se fosse sã, jamais teria se apaixonado por esse lingrinhas maquiado.

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Talvez nunca se venha a saber qual a concepção original de David Ayer para Esquadrão Suicida, mas arrisco dizer o seguinte: é possível que, preservada, ela tivesse muito mais força e não desse margem às reações ambivalentes que o filme vem colhendo. Está claro que não assentou bem com Ayer isso de trocar a linha que se anunciava no primeiro trailer, de uma queda para o perverso, pela tentativa de reproduzir o espírito brincalhão de Guardiões da Galáxia ou a anarquia de Deadpool. Na verdade, acho que não assenta bem com o universo da DC Comics em geral, feito de heróis e vilões mais sérios, graves e meditativos – mais clássicos, enfim – que os personagens quase sempre tendendo ao pop da Marvel.

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Nem a DC nem ninguém mais poderia ter adivinhado, anos atrás, como era eficaz o plano de dominação mundial tão minuciosamente traçado pela Marvel; mas talvez essa crise de identidade que atormenta Esquadrão Suicida seja um alerta para a DC do cinema parar de correr atrás do que não é. Ao contrário: esta é a hora de ela decantar o que só ela pode ser e que a Marvel nunca poderia imitar. É o momento de limpar as gavetas, jogar fora o que não tem mais uso, reduzir o peso, buscar agilidade e ser menos complacente com as manias de diretores e produtores. Jogar pelas regras do adversário é uma péssima tática; não produz outra coisa que não frustração. Aprender com ele como estabelecer as regras que levam aos melhores resultados criativos – isso, sim, é algo em que o exemplo da Marvel continua valendo. Tenho o palpite de que Patty Jenkins, a diretora de Mulher Maravilha, vai ser valiosíssima nesse processo. Em 1º de junho do ano que vem a gente confere.

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