Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Resoluções Ano Novo: VEJA por apenas 5,99
Imagem Blog

Felipe Moura Brasil

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

O mínimo para contra-argumentar

Felipe Moura Brasil descreve o comportamento dos autores de picuinhas nas redes

Por Felipe Moura Brasil 4 abr 2017, 10h50 • Atualizado em 4 abr 2017, 12h19
  • Uma das diferenças básicas entre o autor intelectualmente honesto e o desonesto é que o primeiro dá aspas – e se atém – ao argumento do segundo quando menciona seu nome para argumentar em contrário, mas o segundo não dá aspas ao argumento do primeiro, preferindo antes fazer uma caricatura do que ele argumentou – ou do que ele representa – para afetar superioridade e demonizá-lo com a autoridade intelectual que lhe falta.

    Essa caricatura, com frequência, é disfarçada em aspas que se limitam a reproduzir uma ironia e/ou uma comparação de natureza ilustrativa decorrentes da argumentação omitida, para que, sem destrinchá-las nas nuances do contexto original, o autor intelectualmente desonesto possa expô-las como constatações absurdas, afetando contra elas o mesmo repúdio que deseja incutir na plateia incauta e/ou igualmente recalcada.

    Se afirmo, por exemplo, que “o Brasil faz nas sombras o que a Venezuela faz à luz do dia“, o autor intelectualmente desonesto afeta o seu repúdio contra o suposto absurdo da comparação, mencionando apenas que me referi às nomeações do governo de Michel Temer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e alegando que a Constituição delega ao presidente da República a função de nomear ministros para tribunais superiores.

    Com isso, desonestamente projeta sobre mim a imagem de alguém que ignora as delegações constitucionais mais básicas, como se estas não fossem premissas do texto original e de dezenas de artigos publicados em mais de três anos de blog; e ainda omite integral e parcialmente os dois pontos centrais que levaram à comparação, sendo o primeiro, evidentemente, o mais forte:

    1) A disposição de ministros do STF de assumir as funções do Poder Legislativo: por exemplo (conforme link embutido na primeira frase do texto original), legalizando o aborto no Brasil;

    Continua após a publicidade

    2) A tentativa do governo de emplacar ministros no TSE comprometidos de antemão com manobras que adiem o julgamento e votos que impeçam a cassação da chapa do presidente, no processo em curso no tribunal.

    O leitor honesto, que vai às fontes e abre os links, compreende perfeitamente que o STF não precisa anular o Poder Legislativo como fez o Supremo da Venezuela para assumir suas funções em determinadas decisões, daí que faça nas sombras (“de modo dissimulado”, como escrevi) o que lá se faz à lua do dia.

    O leitor honesto igualmente distingue o poder constitucional da nomeação de membros do TSE pelo presidente e a imoralidade, para dizer o mínimo, de ele nomear ministros PARA salvar seu mandato – imoralidade que, na prática, o próprio presidente reconhece, segundo o noticiário de bastidor, tanto que antecipou a nomeação de Admar Gonzaga justamente para não parecer que teve com ela a referida intenção.

    Continua após a publicidade

    Num momento em que Nicolás Maduro tenta usar de modo escancarado o Supremo venezuelano para salvar seu mandato, o leitor honesto também compreende a comparação – não equiparação – com o governo Temer, que tenta dissimuladamente nos bastidores – “nas sombras” – usar o TSE para salvar o dele, ainda que isto não venha a configurar (ou a provar-se) uma ilegalidade.

    O autor intelectualmente desonesto, porém, tenta levar sua plateia para longe das fontes, cravando uma falsa interpretação específica de qualquer título ou sacada geral que sintetizem de modo ilustrativo os fatos e argumentos por ele omitidos. É um modus operandi cada vez mais comum, aliás: incapaz de contestar fatos e argumentos, o sujeito concentra seus ataques nos arremates irônicos ou ilustrativos que genericamente os condensam.

    (É quase como Donald Trump dizer, em síntese, que Barack Obama criou o Estado Islâmico; e a CNN fazer verificação de fato, a sério, para explicar que é “mentira”: ele não criou.)

    Continua após a publicidade

    Por isso, aviso aos meus leitores: nunca acreditem em palavras que meus supostos críticos colocam na minha boca, nem levem a sério reações ao que eu supostamente afirmei. Venham às fontes originais no meu blog e leiam o que de fato escrevi, além das referências e livros que embasam meus textos e os conceitos neles utilizados.

    Aqui, cito nominalmente autores relevantes, aos quais costumo dar aspas em caso de argumento contrário, como se pode comprovar exaustivamente no caso de Luis Roberto Barroso.

    Dos que não têm relevância alguma, mas que parecem desejá-la com ataques pueris – não raro atribuindo a si próprios o poder de decidir quem pode ou não ser de direita, quem pode ou não ser analista político –, descrevo apenas o comportamento geral como um cientista descreve o de amebas no laboratório, sempre consciente de que é mais fácil leitores honestos aprenderem a reconhecer esses autores e suas picuinhas do que eles, ao reconhecerem a si próprios na descrição, aproveitarem a chance para se tornar pessoas melhores.

    Continua após a publicidade

    Felipe Moura Brasil ⎯ https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

    Siga no Twitter, no Facebook e na Fan Page.

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.