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Felipe Moura Brasil

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Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Como resolver o conflito Israel-Hamas com algodão-doce

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 31 jul 2020, 03h25 - Publicado em 24 jul 2014, 11h14

Desculpem a demora. Fui resolver o conflito Israel-Hamas.

Não dava para esperar a paz através do reconhecimento do Estado de Israel pelos terroristas. Em 2011, o líder Khaled Meshaal já havia prometido que “nunca reconheceremos a legitimidade da ocupação de nossa terra”. Não dava, tampouco, para explicar dia após dia que a morte de civis israelenses e palestinos é desejada pelo Hamas, esclarecendo que a dos primeiros é seu próprio objetivo; e a dos segundos – que eles usam como escudos humanos para si próprios e para seus mísseis, providencialmente escondidos em escolas, hospitais e mesquitas – permite que eles culpem os judeus, com a colaboração da imprensa mundial e suas manchetes sonsas com os números de mortos de cada lado, induzindo o público a debitá-los do lado oposto.

Cansei. Se o maior problema para os jornalistas é a morte de criancinhas palestinas nas reações do exército de Israel aos (2.000) mísseis (só nas duas últimas semanas) disparados pelo Hamas contra as cidades israelenses, a questão é uma só: ainda não há tecnologia bélica suficientemente avançada para prender ou exterminar os terroristas e tomar ou destruir seus armamentos sem causar eventualmente as mortes civis em que eles investem. Eu não gosto de ver criancinhas mortas. Israel não gosta de ver criancinhas mortas. Mas o Hamas gosta e a imprensa lhe é cúmplice. Como resolver isso, se os jornalistas não querem aprender a fazer manchetes sobre o número de mortos palestinos sem reforçar a propaganda do terror?

SeuCreyssonPor um momento, encontrei a solução. Projetei a primeira MT-MAD, a máquina de transformar mísseis em algodão-doce. Isso mesmo: os problemas de Israel estavam com os dias contados. Com a MT-MAD, bastaria ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apertar um botão de seu gabinete que os mísseis escondidos nas escolas palestinas transformar-se-iam rapidamente em algodão-doce prontinho para consumo da criançada no recreio. Cessar-fogo para quê? Os civis palestinos desejariam diariamente esse bombardeio açucarado, para o qual haveria até fila de espera nos corredores. A MT-MAD seria usada igualmente para derrubar os mísseis disparados contra Israel, provocando assim uma deliciosa neve de algodão-doce. O Oriente Médio seria uma linda festa junina; e eu estava mesmo muito feliz e orgulhoso da minha invenção, até que me dei conta do resultado prático: a obesidade infantil. O Hamas, a imprensa mundial e o governo Dilma jamais perdoariam os judeus por engordar as crianças palestinas.

Tive de mudar meu projeto. Em termos de tecnologia, seria até mais fácil transformar mísseis em cerveja, por exemplo, mas aí todos implicariam com o álcool servido para as crianças – e eu não desejo exportar a blitz da Lei Seca para ninguém. Ademais, cerveja tem glúten, um inimigo decerto mais perigoso para a imprensa mundial do que qualquer antissemita ao lado de um hospital disparando mísseis contra a “judeuzada”. Descartei então a hipótese de alimentos e bebidas, já que todos fazem mal se alguém disser que faz. Pensei em algo caro aos jornalistas de esquerda, mas o problema de transformar os mísseis em livros do Che Guevara é que as criancinhas teriam mais uma fonte de ódio ao inimigo apontado pelos pais. Finalmente tive um insight: camisinhas! Não tinha como a imprensa não gostar. Os mísseis virariam um baú com camisinhas de vários tamanhos, para que ninguém pudesse falar em reação desproporcional. As crianças palestinas teriam basicamente a mesma educação sexual das brasileiras, com forte incentivo ao sexo casual – e, se os casos de Aids aumentassem por lá, como aqui, bem… Aí a culpa da Aids no mundo inteiro seria dos judeus e meu projeto, um fracasso.

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É, não tem jeito. A paz no Oriente Médio depende do reconhecimento do Estado de Israel ou do avanço tecnológico que lhe permita destruir o Hamas e seus armamentos, sem deixar mais vítimas civis – nem coisa alguma em seu lugar: de preferência, nem mesmo estilhaços para não sujar a rua. Enquanto isso, o jeito é cuidar de um projeto bem menos ambicioso: o de transformar os engodos da esquerda dominante na imprensa em algodão-doce para os meus leitores.

Felipe Moura Brasil – https://www.veja.com/felipemourabrasil

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Veja também aqui no blog: O bate-boca de Jandira Feghali com Jair Bolsonaro e o conflito Israel-Hamas – Vamos desenhar para a deputada?

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