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Educação em evidência

Por João Batista Oliveira
O que as evidências mostram sobre o que funciona de fato na área de Educação? O autor conta com a participação dos leitores para enriquecer esse debate.
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Prova Brasil: o país tem avançado na educação, mas muito devagar

Se continuarmos no ritmo atual de avanços na educação, levaremos pelo menos 40 anos para chegar onde os países da OCDE se encontram hoje

Por João Batista Oliveira Atualizado em 14 out 2020, 11h06 - Publicado em 13 out 2020, 12h05

Este é o sétimo post da série sobre os resultados da Prova Brasil 2019 que você pode conhecer melhor neste relatório da consultoria IDados.

Em se tratando de reforma educativa, a evidência internacional aponta para três conclusões robustas. A primeira é que resultados educacionais de um país ou um sistema de ensino de grandes proporções tendem a ser bastante estáveis ao longo do tempo – a estabilidade é muito mais comum e esperada do que a mudança. Avanços são pequenos, graduais – e muito dos avanços obtidos em vários países são restritos a determinadas regiões, e não ao país como um todo.

A segunda é que poucas reformas produzem resultados significativos – e isso vale tanto para reformas de amplo espectro quanto para intervenções mais específicas. É difícil mudar e é difícil melhorar resultados com base em mudanças.

A terceira é que reformas eficazes tendem a produzir resultados em prazos relativamente curtos – entre 6 a 8 anos já se notam resultados significativos. O Pisa, em particular, é um instrumento que permite observar, com clareza, a validade dessas afirmativas. As notas dos países da OCDE são mais estáveis do que instáveis. Os poucos países que avançam o fazem em prazos relativamente curtos.

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Os resultados da Prova Brasil ao longo de sua existência, desde 2005, sugerem que o Brasil anda devagar. Em 15 anos, houve um grande avanço nas notas das séries iniciais – quase um desvio padrão (50 pontos). Esse avanço se explica, em parte, pela mudança em fatores extra-escolares que afetaram o resultado em todo o país. Mas também pode se explicar, em parte, pelo baixíssimo nível das notas no ano de 2005. Apenas um estado (SP) que se encontrava entre os 5 melhores avançou mais do que a média. E os 5 melhores em 2005 (DF, MG, RJ, PR e SP) encontravam-se numa situação bastante medíocre, com notas variando entre 184 e 200 pontos. Quase metade do avanço se deu entre 2005 e 2009.

Nas séries finais, o avanço já vem sendo bem menor, mas ainda é elevado. O problema é que o nível alcançado é muito baixo – a média da rede pública no 9º ano é próxima à média da rede privada no 5º ano. E o ensino médio encontra-se praticamente paralisado.

Existe um fosso gigantesco entre o desempenho dos alunos das escolas públicas, no Brasil, e os alunos das escolas públicas dos países da OCDE. Se continuarmos no ritmo atual de melhorias, levaremos pelo menos 40 anos para chegar onde aqueles países se encontram hoje. Devagar não se vai ao longe. Não basta avançar. Tem que avançar mais rápido. E as políticas em curso dificilmente levarão o país a uma posição minimamente adequada no concerto das nações.

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