Nada mudou
Colunista reflete sobre impactos da tecnologia para a saúde mental a partir de canção que fez sucesso nos anos 1980
Nada Mudou. Lá se vão 40 anos que nosso brilhante e brasileiríssimo cantor e compositor Léo Jaime nos encantou com letras e versos dessa música. E será que alguma coisa mudou?
Hoje, vamos falar da nossa saúde mental que, nas últimas quatro décadas, teve que encarar, além da rotina diária de problemas e desafios, uma profusão de novas conexões com um mundo que não nos pertence chamado internet, onde podemos observar em qualquer lugar “senhores e escravos” dela, trocando o mundo real por vidas idealizadas apenas nas telas.
Com a entrada das redes sociais, o universo profuso do modelo de beleza, das roupas da moda e das tendências parece sempre igual para todos. Crianças, assim como adultos, sonham com a ideia do que veem nas telas, mas nem todos podem comprar ou vivenciar esse novo mundo.
Muitas famílias envoltas na necessidade de trabalhar acabam tendo pouca oportunidade de estar perto dos seus filhos e vigiar o tempo de uso e conteúdo que acessam. E como essa tal de internet está em todo lugar, a forma como a usamos faz muita diferença. Por falta de equilíbrio, muitas crianças não conseguem esconder sua dependência, tornando-se agressivas, deprimidas e até suicidas.
As diferenças sociais antes distantes dos olhos, pois jogávamos dama nas praças, brincávamos nas ruas e não tínhamos ideia da vida dos outros, talvez quando saíam em manchetes de jornal, hoje são ostentadas e distribuídas por conteúdos que estão aí para qualquer um ver. Por meio de uma pequena tela chamada celular, os melhores momentos do mundo são idealizados por essa “verdade” virtual.
Ninguém dá mais um sequer bom dia e todos querem parecer iguais, mas o que não está na rede é que isso tem custo, não só financeiro. Muitos jovens não conseguem entender que o caminho é longo. É preciso estudar e trabalhar, e sem total garantia de sucesso.
Apesar de toda tecnologia para chegar ao sonhado céu estrelado desse novo mundo, nada mudou: temos que subir degrau por degrau que nem sempre são iguais para todos e isso necessita de saúde física e mental em dia.





