Médicos x farmacêuticos: guerra nunca é um bom conselho
Autarquias de classe foram uma maneira civilizada de organizar os profissionais das mais diversas áreas; fronteiras precisam ser respeitadas

Guerras, em geral, sabemos quando começam, mas dificilmente conseguimos prever quando irão terminar. As autarquias de classe foram uma maneira civilizada de organizar os profissionais das mais diversas áreas. Por meio delas, podia-se definir regras, limites e ética. Assim como na República, poderes foram divididos e até então as fronteiras eram respeitadas.
Seguindo a tendência mundial, estamos vivenciando em nosso território uma invasão de terras e, inevitavelmente, uma enorme guerra está se formando, não só na República, como também em uma região antes pacífica povoada por intelectuais e cientista: os Conselhos de Classes. Como em qualquer guerra, a política e a tentação financeira parecem ser os principais motivos do conflito.
Não precisa ser médico, dentista ou farmacêutico para saber qual é função de cada um. Recentemente, o exército de farmacêuticos e dentistas tentaram invadir a região dos médicos. Enviaram soldados sem nenhum respaldo na legislação. Atiraram para todos os lados, mas felizmente estão encontrando muita dificuldade no domínio do território.
A ideia de farmacêuticos nas suas trincheiras de trabalho poderem prescrever e medicar pessoas, beira um atendimento da Idade Média. E quem fornece a munição, digo medicamentos, se envolve nessa lama, pois para cada soldado atendido existe um bônus de guerra.
Da mesma forma, nos quartéis dos dentistas, estuda-se a possibilidade a realização de cirurgias plásticas em soldados com ou sem lesões. Isso mesmo: dentistas fazendo cirurgias plásticas.
++ LEIA MAIS: Justiça suspende resolução que autorizava farmacêuticos a prescreverem medicamentos
Em qual momento da história mundial esses exércitos se acharam capacitados para essas funções? A formação de um médico envolve anos de estudos e a decisão por uma especialização pode durar grande parte da sua vida adulta. Obviamente, o território que ele ocupa é muito amplo, pois foi muito bem estudado.
Médicos, farmacêuticos e dentistas eram uma unidade única, onde uma completava a outra no cuidado com soldados. Agora, parecem colocar em risco a vida de quem eles deveriam cuidar, os levando a um campo minado. A lei é clara em definir o que é de atuação médica, portanto, a ideia que panfletos de guerra possam mudar a lei é muito perigosa. Panfletos se espalham, formatam opiniões e revoltas.
Imaginem que esses exércitos consigam, de alguma forma, dominar esse território antes cuidado por médicos? Nesse cenário, o mais trágico é saber que caso algum dos soldados tenha uma complicação, a tropa terá que recuar e procurar o único militar capacitado em atendê-los: o oficial médico.