Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Coluna da Lucilia

Por Lucilia Diniz
Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação
Continua após publicidade

Crônica de fogo e gelo

Davos, a crise climática e motivos para ter esperança

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 09h39 - Publicado em 2 fev 2024, 06h00

A cada janeiro, os olhos do mundo se voltam para o vilarejo suíço de Davos, onde se reúnem nomes de peso no Fórum Econômico Mundial. A crise climática, assunto tão duro, ocupou lugar relevante nos painéis. Um deles, em especial, falava sobre suas implicações para a saúde e para a alimentação. Ninguém bem informado poderia minimizar os efeitos do aquecimento global nesses campos. Mas, para minha surpresa, foi justamente nesse painel que pude perceber o “copo meio cheio”. O que me fez pensar que um novo olhar sempre é possível.

A cada ano, falamos em quantas frações de grau a temperatura do planeta subiu. Se em termos acadêmicos faz sentido se pautar pela escala Celsius, para muitos leigos a informação de 1 grau ou 2 acima da média soa como a oportunidade de curtir mais dias ensolarados de praia. Acho oportuno que o termômetro não seja mais o único instrumento para fazer soar o alerta. Que tal então se passarmos a falar mais de vidas afetadas, como propôs um dos participantes da mesa?

Todos nós somos afetados pelo aquecimento global, não só quem tem a casa atingida por um evento climático extremo. A insegurança alimentar é uma realidade, e mesmo os que não sofrem com ela sentem seu impacto no carrinho do supermercado. Nos países mediterrâneos, a seca atinge as oliveiras. Em consequência, no mundo todo os preços do azeite dispararam, já que uma única província na Espanha, Jaén, em Andaluzia, é responsável por 20% da produção mundial. Deste lado do oceano, um produto fundamental para nós enfrenta problema semelhante: o café. Pouca chuva e temperaturas extremas pressionam as lavouras e os preços.

“Há um caminho sendo traçado, porque sem dinheiro nenhuma inovação ganha escala”

Se azeite e café parecem secundários, pense no arroz. Soube em Davos que o grão, principal fonte alimentar para metade da população global, exige muita água para seu cultivo tradicional, alagado, ainda o mais comum entre os grandes produtores asiáticos. O método é eficaz porque “afoga” as ervas daninhas. Só que a decomposição delas libera uma enorme quantidade de metano, o que torna essa importante cultura uma das maiores emissoras desse gás na atmosfera.

Continua após a publicidade

Mas, na mesma sala onde ouvi esses problemas, fui lembrada de como o engenho humano é capaz de correr em socorro da saúde global. Cruzamentos buscam criar espécies mais resistentes, o que está acontecendo com o café. Quanto ao arroz, novas tecnologias prometem utilizar 40% menos água em seu cultivo, resultando em 90% menos emissões de metano. Velhas técnicas também são recuperadas — o cultivo de azeitona na agricultura de sequeiro depende de menos recursos hídricos (com o bônus de que as oliveiras são ótimas para sequestrar CO2). Essas ideias vêm não só das gigantescas empresas agropecuárias representadas em Davos, mas também de outras como a nossa Embrapa.

Sem dinheiro, porém, nenhuma inovação ganha escala. De novo, senti que há um caminho sendo traçado quanto a isso. Na Suíça, muito se falou da necessidade de investir uma extraordinária quantidade de capital em medidas científicas mais amplas para a saúde de um mundo em mutação. De repente, em meio à paisagem alpina, me peguei repetindo os versos de Sampa, de Caetano Veloso, o hino informal da minha cidade, que nos lembra de que a força da grana que destrói coisas belas é a mesma que as ergue.

Publicado em VEJA de 2 de fevereiro de 2024, edição nº 2878

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.