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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

Contra a varíola dos macacos, usemos as lições aprendidas

Anvisa recomenda higienização das mãos, distanciamento social onde e quando possível e, sim, uso de máscaras; OMS diz que o risco ainda é moderado

Por Claudio Lottenberg 31 Maio 2022, 13h30

O Brasil já conta com dois casos suspeitos de varíola do macaco, e é importante reforçar: a doença não vem do animal. Por ter sido identificada em colônias de macacos na África, na década de 1950, leva este nome. De acordo com informações do Instituto Butantan, esse tipo de varíola é causada por um vírus que infecta macacos, mas que, incidentalmente, pode contaminar humanos – os primeiros hospedeiros do vírus são roedores, e não o animal.

Ainda de acordo com informações do Butantan, o primeiro caso humano de varíola dos macacos foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo, durante um período de esforços intensificados para eliminar a doença. Desde então, a varíola dos macacos foi relatada em humanos em outros países da África Central e Ocidental.

Há alguns dias, a doença ganhou o topo do noticiário como o mais recente temor de uma nova crise sanitária. Isso quando o mundo não só ainda não se recuperou da pandemia de covid-19 como lida com dados que apontam aumentos de casos desta última.

De positivo, já se pode ao menos dizer que a varíola do macaco não é nem tão contagiosa nem tão letal como a covid-19. Especialistas apontam que se trata de uma doença de baixa mortalidade, quando se compara com outras – ela traz ao doente sintomas como febre, mal-estar, dores, inchaço em linfonodos e erupções cutâneas tais como as da varíola humana. Em até três semanas, todos eles costumam desaparecer.

A questão, no entanto, é que um novo risco global à saúde chega no momento em que muitos países (senão todos) tiveram seus serviços de saúde levados a extremos de suas capacidades, chegando ao ponto de esgotamento principalmente em países mais pobres. Nesses, além disso, há riscos relacionados à alimentação – a guerra entre Rússia e Ucrânia está na raiz dessa situação. Um desafio duplo, de covid-19 e varíola do macaco, não deve ser encarado sem a devida seriedade. Mesmo em países ricos, populações carentes ficaram desassistidas.

Fora da África (onde é tipicamente endêmica), ainda são poucos casos – cerca de 300 confirmados, em 23 países – entre eles Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Itália, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. É um número ainda baixo, o que, para infectologistas, não enseja alertas ou preparação para vacinações em massa. Segundo a plataforma PebMed, o Insa (Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge), de Portugal, publicou neste mês uma primeira sequência do genoma do vírus da varíola do macaco encontrado nos casos registrados. A indicação é de que sua origem é a África Ocidental – relacionado a casos de 2018 e 2019, da Nigéria. Segundo a OMS, o risco que a varíola do macaco representa é moderado para a saúde pública mundial.

Mas se a pandemia de covid-19 ensinou alguma lição, foi a de que não se deve subestimar o risco que doenças contagiosas representam. Já com suspeitas da doença no país, protocolos de vigilância e rastreamento têm de ser reforçados para rastrear o caminho que o vírus pode vir a fazer. A questão também reacende o tema das máscaras. Com o fim da emergência de covid-19 (ainda que a pandemia continue, e os casos de covid-19, como dissemos, continuem a aumentar), o uso de máscaras ficou liberado. Como a varíola do macaco é transmissível por gotículas, um cenário com aglomerações de pessoas sem a proteção não é animador. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já divulgou nota reforçando medidas já em vigor em aeroportos e aeronaves. Também recomenda distanciamento físico onde e quando possível, máscaras e higienização frequente das mãos – rotinas já conhecidas contra a covid-19.

Uma nova ameaça sanitária num momento de fragilidade, não só dos serviços de saúde no mundo todo, mas da economia global – que, segundo avaliação diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, enfrenta “talvez seu maior teste desde a 2ª Guerra Mundial” – é algo bastante negativo. Mas a vigilância e as medidas de proteção com que o mundo inteiro aprendeu a conviver podem ser os maiores aliados. Que usemos esse conhecimento tão duramente adquirido para impedir que outro risco se imponha.

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