O anúncio da saída de Carluxo e a guinada estratégica do bolsonarismo
Vereador anuncia despedida em tom de chororô, mas faz jogo vantajoso para o bolsonarismo

A decisão anunciada no fim de semana por Carlos Bolsonaro de deixar as redes sociais do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, veio em tom de chororô. O vereador falou em “solidão” e disse ter sido tratado como um “rato”. Quem é próximo da família Bolsonaro lembra que esta não é a primeira vez que Carluxo promete jogar a toalha. Mas, agora, o anúncio alimenta um jogo bem vantajoso para o bolsonarismo.
Na sombra da derrota nas urnas e pressionados pelo risco da inelegibilidade, Bolsonaro e seu time sabem que o momento é outro. Não basta apenas pregar para os convertidos. O foco da estratégia segue sendo alimentar o antipetismo e a polarização política, para que o bolsonarismo chegue com força em 2026. Mas o radicalismo perde espaço. É preciso reconquistar aquela parcela do eleitorado que abandonou o ex-presidente em outubro do ano passado, trazer de volta os mais moderados.
A saída prometida por Carluxo é para valer? Aos olhos desta colunista, parece bem provável que não. Com tantas lamúrias, o filho do presidente – maior expressão dessa comunicação bolsonarista mais radical – parece apenas querer desvincular sua própria imagem da de seu pai. Nem que seja apenas por algum tempo. Seja como for, é de se esperar que a comunicação do ex-presidente e de outros nomes importantes ligados a ele venha em tom diferente.
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