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Caçador de Mitos

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Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia

Por que damos presentes? Darwin explica

Por Leandro Narloch 26 dez 2014, 09h45 | Atualizado em 31 jul 2020, 02h25

Quando os desbravadores ingleses conheceram os kwakiutl, índios da ilha de Vancouver, na costa oeste do Canadá, ficaram impressionados com um detalhe: aquela gente era obcecada por dar presentes. A honra e a importância de cada pessoa e de cada tribo eram medidas pela capacidade de dar redes, joias, canoas, óleos, peixes, escravos, entre muitas outras mercadorias. Quem quisesse subir na hierarquia local sabia o caminho: dar o máximo de presentes que pudesse. Durante o potlatch, o principal evento do calendário daqueles índios, chefes de aldeias competiam para saber qual deles era o mais generoso. Perder a disputa resultava em rebaixamento de status e uma terrível humilhação para os kwakiutl, que chegavam a botar fogo em tudo o que tinham para ostentar desapego.

Nós certamente não compartilhamos tanto desapego, mas também temos o costume de trocar presentes. E somos assim não é só por influência das propagandas de shopping ou do consumismo. Distribuir objetos como prova de afeição é provavelmente uma característica universal humana, compartilhada por todos os povos que já passaram pela Terra.

O costume ganhou uma explicação evolutiva a partir de 1971, quando o biólogo americano Robert Trivers publicou o artigo The Evolution of Reciprocal Altruism. Para Trivers, o homem não é naturalmente bom nem naturalmente mau: é um altruísta recíproco. Ajuda se tiver sido ajudado ou se acreditar que será retribuído no futuro. Se enfurece e pune quem não coopera ou não retribui.

Se somos recíprocos por natureza, distribuir mimos é um bom meio de criar comprometimento. Quem ganha um presente sente imediatamente a necessidade de retribuição. É por isso que tantas sociedades, em tantas épocas, usaram presentes para estabelecer conexões e fechar contratos ou alianças de guerra. Agrados abrem portas.

O leitor deve estar pensando: “não foi por interesse pessoal que dei presentes neste Natal”. Eu acredito. A evolução da reciprocidade pode explicar a capacidade humana de presentear, mas não diz nada sobre os motivos de cada indivíduo ao comprar presentes que encantem suas pessoas favoritas.

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