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Augusto Nunes

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Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Oliver: A parte pelo todo

VLADY OLIVER Evidente que não vou ficar aqui dedilhando acordes dissonantes no artigo do Augusto Nunes, nem faço minhas ironias na intenção de macular tamanha verve e circunstância. Se faço um adendo neste latifúndio é porque pessoas de pouco paladar não entenderão a “metonímia” – figura de linguagem que troca a parte pelo todo e […]

Por Augusto Nunes 4 out 2015, 15h59 • Atualizado em 31 jul 2020, 00h23
  • VLADY OLIVER

    Evidente que não vou ficar aqui dedilhando acordes dissonantes no artigo do Augusto Nunes, nem faço minhas ironias na intenção de macular tamanha verve e circunstância. Se faço um adendo neste latifúndio é porque pessoas de pouco paladar não entenderão a “metonímia” – figura de linguagem que troca a parte pelo todo e que é prima da “metáfora”; esta todo mundo conhece.

    O que afirmo é que é poético trocar uma parte expressiva do Brasil pelo Brasil todo, para afirmar que “somos todos corruptos”, ou “temos um povinho lerda” ou ainda “tá tudo dominado por aqui desde os tempos das caravelas”. É claro que eu entendo a licença poética e também acho que ela prescinde de maiores explicações para ser o que é, em toda a sua essência e circunstância avassaladoras.

    O fato é que, fora das estruturas harmônicas da poesia, a coisa bem que soa uma armadilha. O Brasil é bom em sua esmagadora maioria. Não soubesse disso, o próprio Augusto Nunes não perderia o seu precioso tempo aqui, cultivando um vinho de tão alto valor para dividir com seus leitores e amigos. Vale a pena lutar por ele. Vale a pena escrever lindas mensagens cifradas de amor a esta terra que amamos odiar e odiamos amar, tudo ao mesmo tempo agora.

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    Eu não mudaria uma linha sequer deste libelo. Só afirmo, como aquele insistente comentarista que quer explicar a piada, que a Era da Canalhice é um filme muito ruim, estrelado por poucos atores igualmente ruins, canastrões, dirigido pessimamente e que só existe porque a benevolência misturada com a irresponsabilidade daqueles que acham bonito subir pelo atalho resolveram fingir que todos faziam cinema por aqui e todos fingem que mandam no país também.

    Instituiu-se aqui a “esbórnia de Estado”, uma forma de governar pelos fundilhos, onde manda mais quem tem a cueca mais entumecida de grana rapinada. É nessa indecência generalizada que a plateia se vê diante de uma farsa. Uma superprodução picareta, turbinada com altas doses de grana pública mas, ainda assim, uma farsa. Não chega até a esquina sem bater uma carteira, mentir como método e enganar alguns incautos pelo caminho. Não chega no poder sem fazer milhares de otários em suas cooperativas, sindicatos, milícias e franjas partidárias.

    Não se impõe pela decência, mas pela indecência de seus atos e ousadia de suas artimanhas, hoje devidamente deslindadas, uma a uma. Culpar o Brasil todo pelo imenso bovinismo que aqui se cultiva é como culpar o boi por ser boi, em sua saga para virar churrasco. No papel de boi ele é o que é e ponto. Somos nós, figuras pensantes do país, os verdadeiros responsáveis pelos destinos e desatinos dessa nação rupestre. O país instado a reagir diante da turba, muniu-se de panelas, bonecos infláveis, projetores e foi fazer seu carnaval fora de época.

    Melhor que a “dança de guerra”, exótica manifestação de que a paciência com estes embusteiros está acabando, seja finalmente entendida pelo elenco de carcamanos dessa obra superfaturada. Quando uma tribo se pinta para a guerra, em geral o que vem depois é a própria guerra. Precisa desenhar para estes atores bufões, o que os aguarda depois das filmagens? Eu não ia querer ver a fita toda.

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