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“Deformação: a pior derrota” e outras notas

O radicalismo está inoculado entre os eleitores de todos os candidatos

Por Valentina de Botas
30 ago 2018, 20h39 • Atualizado em 30 jul 2020, 20h21
  • Valentina de Botas

    Chamo de bolsonarentos militantes e adoradores de Jair Bolsonaro, bando que diferencio dos bolsonaristas, os eleitores normais do deputado e cuja escolha eleitoral é tão legítima quanto a minha. Os bolsonarentos cometem o discurso dos extremistas ─ do PT/esquerdas à direita-bolchevique, que direita não é, mas somente um reacionarismo traduzido por esse bolsonarismo rupestre ─ exalando revanchismo contra o que ou quem os contrarie. No mundinho mental dos radicaloides, quem habita além dele está autorizado a concordar e elogiar. Se Lula, num extremo, foi blindado usando a armadura de pai dos pobres num getulismo ressurrecto pelo sindicalismo brucutu; no outro extremo, Bolsonaro é protegido por quem o venera ou apenas simpatiza com ele já que o deputado seria o único político honesto que nossa vista cansada de roubalheira alcança e que pode impedir a volta das esquerdas. Isso tem lhe dado perigosa licença para fundar o próprio parque temático de canalhices semelhantes ao das próprias esquerdas.

    Depois de resistir por quase 14 anos ao petismo e ter marchado pelo impeachment de Dilma Rousseff, constato que grande parte da resistência é cavalgada pela pior forma de derrota num combate: a deformação, ficando parecida com o que combatia. Estou falando, sobretudo, dos meios da militância bolsonarenta, espantosamente inspirada e incentivada por Jair Bolsonaro e seus filhos para demonizar a dissidência representada pelos demais candidatos, seus eleitores e até ex-integrantes da grei bolsonarenta e florescer a própria versão do nós x eles: xingamentos, ameaças, campanhas para arruinar reputações, notícias falsas repetidas, movimentos contra jornalistas e veículos de comunicação e sempre o desejo de travar o debate acusando falsas cobranças para não responder as legítimas.

    A libido autoritária, a gramática do ódio e o ressentimento premeditam uma revanche quando o poder for (re)tomado – eis o cotidiano dos extremos do nosso espectro político. As duas hordas comemoraram recente anúncio da demissão de centenas de jornalistas porque a elas não basta apenas não os ler se eles não as agradam, a alergia à democracia exige silenciá-los. O radicalismo está inoculado entre os eleitores de todos os candidatos, álibi gasto pelos que evitam exortar Bolsonaro para que ao menos não incite a coisa e advirta os filhos, mas jura que você consegue olhar para Alckmin (o picolé de chuchu), Meirelles (chuchu na versão mousse) ou para o gentleman democrata Amoêdo e imaginar que levem militantes ao gozo patológico de servos fanáticos? Sério?

     

    A gente não quer só comida, a gente quer gritar “político ladrão”

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    Os dois extremos canalizam a frustração e o cansaço da população não pela conciliação de diferenças naturais e desejáveis na sociedade, mas pela eliminação dessas diferenças. Democracia para ambas as hordas é grego. Ora, ninguém come democracia e o povo não está nem aí para democracia, dizem muitos, ele só quer cuidar da própria vida e gritar “governo ladrão”. Fica parecendo que democracia é coisa de uns bacanas, intelectuais, de gente afrescalhada com a vida ganha. Bem, eu não sei quem é o povo, onde mora, o que come, etc. Mas acho que ele não está ligando o nome à pessoa: é só numa democracia que ele poderá gritar “governo ladrão” sem ser jogado num calabouço.

    Ela não lhe garante a felicidade num país perfeito, ela lhe garante a possibilidade de falar das imperfeições que o infelicitam no país. É porque estamos, sim, numa democracia, que a Lava Jato pôde acontecer, com erros e acertos que testemunham a qualidade dessa democracia, não sua inexistência. É por estarmos numa democracia que candidatos tão diferentes como Amoêdo e Bolsonaro podem se declarar antissistemas, mesmo não o sendo, o que importa pouco já que concorrem e governarão segundo as regras do sistema. A agenda de Amoêdo, Alckmin e Meirelles aponta para as mudanças no tal sistema que só serão viabilizadas em parceria com o próprio sistema. Não é uma contradição, é delimitação democrática. Os três têm isso claro, Amoêdo menos, talvez, daí vem minha principal crítica a ele que, me parece, com seu discurso antipolítico e um tanto sonhático, desprezar as delimitações da realidade de um governante que se defrontará com forças antagônicas. Amoêdo faz parecer que tudo é só uma questão de “vontade política”, como se fosse praticar uma governabilidade de autoajuda. Há traços autoritários aí, mas qualidades como preparo intelectual e convicção liberal e democrata o distinguem do outro candidato antissistema, espécie de cruzamento de Pedro Bo com Rambo.

     

    Mulher-reserva? Vá se catar!

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    Curioso que os adoradores e mesmo simpatizantes medicados do Bolsonaro vejam como virtude do deputado os defeitos da imprensa que arrasta as duas asas para a esquerda. A entrevista, no Jornal Nacional, é exemplo disso. Para essas pessoas, o fato de os jornalistas não saberem lidar com Bolsonaro faz do candidato um Churchill. Mas Globo e Bolsonaro, depois da entrevista, continuam sendo o que eram: a emissora que arrasta as duas asas para a esquerda e um candidato tosco que, mais uma vez, excretando sem nem perceber o que pensa sobre as mulheres falando de seu casamento com Paulo Guedes, sem uma “mulher-reserva”. Novamente imagens debochadas que depreciam a mulher em metáforas tolas. Bolsonarentos comemoraram que o respectivo dono jogou na cara de Bonner que este levou um “chifre”, questionou o salário de Renata, reafirmou a luta contra o kit gay e lembrou que a Globo apoiou o golpe militar. O diabo é que, além da impropriedade de aludir à vida pessoal do entrevistador, ela, o kit gay e o que a Globo fez há 50 anos qualificam um lacrador falando a adolescentes espinhentos nas redes sociais, não um presidente que se dirige a uma nação aflita na antessala da catástrofe.

     

    Carisma que maquia o vazio

    Discordâncias ou concordâncias são coisas da vida, mas a vida é mais que isso. Viver pede também, e especialmente, reflexão. Os dias hoje são assim e a cobrança para ter uma opinião – contra ou a favor – assume feições carrancudas de patrulha. Opinião deixou de ser direito – experimenta ter a opinião errada, pra você ver só! – e virou obrigação. Canseira e breguice. Então, tá, não seja por falta de opinião, aqui vai a minha: a calma e a segurança de Geraldo Alckmin, sem pretender constranger ou competir com Willian Bonner e Renata Vasconcellos nem fazer lacração, atravessaram a contundência sem trégua dos entrevistadores. Ele esclareceu questões que misturam atribuições do governo federal com as dos governos estaduais e alianças políticas regionais com alianças no plano nacional. Alckmin pôde fazer isso porque conhece os problemas do Brasil, o funcionamento do nosso federalismo e nossa legislação e, sobretudo, porque tem consciência do que significa o cargo de presidente e respeita os brasileiros que o ouviam.

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    A falta de carisma de um governante pode ser uma qualidade num país em que o atributo degenerou em personalismo (sempre autoritário), como também na América Latina aliás: getulismo, peronismo, chavismo, lulismo, bolsonarismo. Governante tem de ser sem graça, tipo picolé de chuchu (mais firme um pouco, pode ser?), preferencialmente que eu nem me lembre do nome dele. Tem de ser um chato concentrado em ser eficiente e gastar direito meu suado e escasso dinheirinho. Troco o carisma que maquia o vazio da mediocridade espertalhona de uma vida pública sem realizações para o país por um Chuchu eficiente em ser Chuchu.

    Nossa cidadania é rala; nossa democracia, quase um blefe; nossa política, um fósforo chapinhando numa poça de urina em algum beco sórdido. Saída? Claro que há, mas é para dentro, pois temos de nos virar conosco; e nossos vizinhos, os colegas de nossos filhos, os pais dos colegas dos nossos filhos, nossos amigos, nossos companheiros de trabalho, o mecânico de confiança, a moça da quitanda, o nosso mundo cotidiano será o mesmo no dia seguinte ao domingo do segundo turno. Seremos o mesmo Brasil pronto para ser outro que será o que fazemos de nós. Discordar, concordar? Não precisa. Reflita e viva.

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