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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

As mágicas mãos de Armando

Publicado em 29 de março O jornalista Armando Nogueira sempre conseguia pintar o aparentemente irretratável e tornar mais belo o que já parecia esteticamente perfeito. Sem modificar o que via, mas descrevendo com a alma o que só ele enxergava, especializou-se na arte de ampliar o encanto dos deslumbramentos inventados pelos gênios do esporte. Com […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 13h16 - Publicado em 29 dez 2010, 10h00

Publicado em 29 de março

O jornalista Armando Nogueira sempre conseguia pintar o aparentemente irretratável e tornar mais belo o que já parecia esteticamente perfeito. Sem modificar o que via, mas descrevendo com a alma o que só ele enxergava, especializou-se na arte de ampliar o encanto dos deslumbramentos inventados pelos gênios do esporte.

Com o tempo, o altar circunscrito aos deuses dos gramados se tornou mais ecumênico. Mas permaneceram nos nichos principais as duas divindades maiores: Garrincha e Pelé. Sobre o Rei, disse tudo numa frase: “Se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido bola”. O mágico de pernas tortas era o personagem da manchete dos sonhos de Armando Nogueira: GARRINCHA RESSUSCITOU.

Qual deles foi o melhor? Os dois: “Pelé, magnífico, na arte de fazer um gol de placa, e Garrincha, estonteante, no mistério de aturdir o instante do drible”. Devoções originárias de esportes com os quais passou a conviver mais estreitamente enriqueceram e diversificaram o altar. Hortência e Paula, por exemplo. Na despedida de Paula, o cronista canonizou da deusas do basquete.

“Primeiro foi Hortência, de tantas cestas perfumadas”, lastimou. “Agora, é Paula, Maria Paula das mãos adivinhas (…) Paula, das mãos que inventam cintilações. Das mãos que adivinhavam os caprichos da bola. Das mãos que regiam o jogo como se fosse um balé. (Alguém dirá que não é?)”.

Das mãos adivinhas de Armando saíram incontáveis palavras perfumadas. Os jornalistas que escrevem por nós não deveriam morrer.

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