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Terra não está preparada para colisão de asteroide, diz cientista

Em encontro nos EUA, cientista da Nasa recomenda a construção de um foguete para interceptar possíveis asteroides ou cometas que possam atingir o planeta

Por Da redação - Atualizado em 14 dez 2016, 21h14 - Publicado em 14 dez 2016, 20h58

Se um cometa ou asteroide surpresa se aproximasse da Terra, a humanidade não estaria preparada para barrá-lo. Esse foi o alerta dado pelo americano Joseph Nuth, cientista da Nasa, durante o encontro anual da União Geofísica Americana (AGU, sigla em inglês), nesta semana. A recomendação do pesquisador é que a agência espacial americana construa o quanto antes, métodos para desviar uma possível colisão, como um foguete capaz de interceptar um provável asteroide ou uma espaçonave que nos vigie contra ameaças.

“O maior problema, basicamente, é que não há absolutamente nada que possamos fazer a respeito desse assunto neste momento”, afirmou Nuth no encontro, em um painel sobre como desviar possíveis perigos cósmicos em direção à Terra.

O cientista afirmou que asteroides grandes e potencialmente perigosos são extremamente raros (têm menos de 0,01% de chances de nos atingir nos próximos cem anos, segundo dados da Nasa), mas, por outro lado, quando eles surgem, podem provocar catástrofes, como o evento que levou à extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

A maior dificuldade, segundo Nuth, é o tempo hábil que os cientistas teriam para planejar uma estratégia de defesa. Para projetar e lançar uma espaçonave, são necessários cinco anos. Nesse período, qualquer ameaça surpresa deixaria à humanidade à beira de uma catástrofe. Uma opção, de acordo com o cientista, seria construir um foguete e fazer testes periódicos, para que esteja sempre pronto para funcionar. Com ele, a reação poderia ser mais ágil e eficaz.

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Nos últimos anos, a Nasa descobriu 15.342 objetos próximos à Terra (Near Earth Objects ou NEO, na sigla em inglês), sendo que 874 têm diâmetro de mais de um quilômetro, tamanho que poderia causar uma grande devastação no planeta. Nem todos são perigosos ou possuem rotas de colisão com a Terra, mas o número total inclui também 1.748 “asteroides potencialmente perigosos”, com mais de 140 metros de diâmetro ou com órbitas que passam perto de nós.

Para impedir o asteroide

Apesar de não existir qualquer estratégia de defesa contra as ameaças vindas do espaço, a Nasa está tentando desenhar estratégias para barrar a colisão de possível asteroide. Um dos objetivos da sonda Osiris-REx, que foi lançada em setembro deste ano, é coletar informações sobre o asteroide Bennu – que possui uma possibilidade em 2.500 de colidir com nosso planeta no século XXII.

A sonda, que está programada para chegar ao asteroide em 2018, colher amostras em 2020, e retornar à Terra em 2023, deve dar aos cientistas algumas pistas sobre a composição e órbita dos asteroides, grandes corpos rochosos que vagam pelas galáxias. Para criar uma estratégia de defesa, é necessário conhecer detalhes desses corpos celestes, e as informações trazidas pela missão serão fundamentais.

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Outra ação dos astrônomos para impedir possíveis colisões é vasculhar nossa vizinhança em busca de objetos próximos à Terra. No hemisfério Sul, esse trabalho é feito no Brasil, pelo observatório Sonear, composto por um trio de astrônomos amadores. Localizado em Oliveira, uma cidade da 12 quilômetros de Belo Horizonte, o observatório faz fotos do céu à noite e as analisa durante o dia. Foi assim que descobriram cometas e asteroides passando próximo a nós.

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