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Rei Ricardo III morreu sem capacete, com golpes no crânio, diz estudo

Pesquisa publicada na revista médica 'The Lancet' analisou o esqueleto do monarca com técnicas como tomografia computadorizada e raio X e revelou que ele morreu com onze ferimentos, dois deles mortais, na cabeça

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h10 - Publicado em 17 set 2014, 17h56

Ricardo III, último monarca da casa York, morto em combate no século XV, estava sem capacete e possivelmente de joelhos quando teve o crânio perfurado por seus inimigos, de acordo com estudo publicado nesta quarta-feira na revista médica britânica The Lancet. Os pesquisadores analisaram a ossada de Ricardo III e contaram onze ferimentos – nove na cabeça – provocados por armas cortantes. A análise das lesões endossa os relatos da época, segundo os quais, preso em um lamaçal, o rei da Inglaterra teria abandonado seu cavalo antes de ser morto.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Perimortem trauma in King Richard III: a skeletal analysis

Onde foi divulgada: periódico The Lancet

Quem fez: Jo Appleby, Guy N Rutty, Sarah V Hainsworth, Robert C Woosnam-Savage, Bruno Morgan e outros

Instituição: Universidade da Leicester, Inglaterra

Resultado: Os pesquisadores analisaram a ossada do rei Ricardo III e descobriram que ele sofreu onze ferimentos – nove dos quais na cabeça, sendo que dois, possivelmente causaram sua morte

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O soberano morreu aos 32 anos na batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, depois de um curto reinado de dois anos. Após sua morte, teve início a dinastia Tudor, que criou para Ricardo III uma imagem de tirano deformado, cruel e sanguinário, posteriormente imortalizada por William Shakespeare em sua peça teatral Ricardo III (de 1592). No texto, o soberano corcunda, assassino de dois sobrinhos, grita no campo de batalha a frase célebre: “Um cavalo, meu reino por um cavalo!”

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A ossada que serviu de base ao estudo foi descoberta em Leicester, na Inglaterra, em setembro de 2012, durante a construção de um estacionamento. As análises de DNA – que ainda não foram divulgadas – confirmaram que o esqueleto com feridas de guerra era de Ricardo III, caído não muito distante daquele local e enterrado discretamente por irmãos franciscanos.

Desde então, uma equipe da Universidade de Leicester, liderada pela arqueóloga Jo Appleby, especializada no estudo de ossaturas, tem utilizado técnicas como tomografia computadorizada e raio X, para estudar os restos mortais do soberano, de 500 anos de idade.

Precisão científica – O estudo detalha com enorme precisão as lesões produzidas na ossatura. “As lesões no crânio nos levam a crer que ele não usava capacete, ou porque o perdeu ou porque a proteção foi retirada à força”, explica Sarah Hainsworth, professora de engenharia de materiais e uma das autoras do estudo.

Duas dessas lesões possivelmente foram mortais. Localizadas na base do crânio, teriam sido provocadas pela lâmina de uma espada ou alabarda (artefato da Idade Média com lâmina em meia-lua). Os dois ferimentos corroboram a tese de que o rei estava no chão, talvez de joelhos. A cabeça devia estar inclinada para frente, expondo a base do crânio, diz o estudo.

Em contrapartida, Ricardo III ainda tinha armadura para proteger o resto do corpo, pois não há qualquer vestígio de ferimentos nos braços ou mãos. Uma grande lesão na pélvis pode ter sido causada após a morte.

Ricardo III será enterrado em 26 de março de 2015 na catedral de Leicester. A cerimônia será o ápice de uma semana consagrada ao rei organizada por associações que tentem reabilitar a imagem do soberano.

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