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Olhos do tamanho de bola de basquete ajudam lula a despistar predadores

Grandes olhos de lulas gigantes são capazes de captar mais luz e de detectar contrastes nas condições turvas de águas profundas

Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, descobriram porque as lulas gigantes têm olhos tão grandes, chegando ao tamanho de bolas de basquete. Segundo estudo publicado na última edição da revista Current Biology, a dimensão e o formato dos olhos dá às lulas a capacidade de perceber a aproximação dos predadores, em especial as baleias cachalotes (Physeter catodon).

As grandes lulas são de dois tipos, as colossais (Mesonychoteuthis hamiltoni) e as gigantes (Architeuthis spp.). Elas são os dois maiores invertebrados existentes na Terra, alcançando 9 metros de comprimento e o peso de cinco homens adultos juntos. O tamanho das lulas é comparável ao de um peixe espadarte (Xiphias gladius) grande. Os olhos desta espécie de peixe, porém, chegam a apenas 7 centímetros de diâmetro.

“Não faz sentido lulas gigantes e espadartes terem pesos semelhantes, mas as lulas terem olhos proporcionalmente muito maiores, cerca de três vezes o diâmetro e 27 vezes o volume dos olhos do peixe”, diz o biológo Sonke Johnsen, autor da pesquisa. “A questão é o porquê. Por que lulas gigantes têm olhos tão grandes?”

Para chegar a uma explicação, os pesquisadores mediram primeiro os olhos de lulas gigantes e colossais, a partir de fotos e animais capturados, depois analisaram a claridade da água e a quantidade de luz disponível em águas oceânicas profundas, entre 300 e 1.000 metros abaixo da superfície, onde esses moluscos costumam viver. A partir destas informações, os cientistas criaram modelos matemáticos que explicam como os olhos funcionam.

Eles descobriram que os olhos gigantes das lulas são capazes de captar mais luz, quando comparados aos de animais de tamanhos semelhantes, mas com olhos menores. Essa luz extra melhora a capacidade das lulas de detectarem pequenas diferenças de contraste nas condições turvas de águas profundas. Como as cachalotes – principais predadores das grandes lulas – agitam microrganismos bioluminescentes presentes na água, os grandes olhos do molusco conseguem perceber facilmente a aproximação da baleia.

A visão potente das lulas gigantes e colossais consegue perceber a luz que esses microrganismos emitem a uma distância de até 120 metros. A este ponto, porém, a baleia já conseguiu detectar o molusco, por meio de seu sistema de sonar. Por isso, olhos do tamanho de bolas de basquete seriam úteis para a lula não exatamente por impedirem que a baleia as enxergue, mas para dar tempo de planejar uma fuga bem sucedida.

“Foi a predação por baleias grandes e com dentes o que levou à evolução de um gigantismo nos olhos dessas grandes lulas”, conclui Johnsen no estudo.