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O inverno está chegando: a nova descoberta da ciência sobre dinossauros

No fim do período Triássico, eles viviam nos polos, tinham sangue quente e se protegiam do frio com simulacros de plumas

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 11h22 - Publicado em 23 jul 2022, 08h00

A história é antiga — mas, dado o seu fascínio, merece sempre ser lembrada para quem gosta de dinossauros. Há mais de 200 milhões de anos, no fim do período Triássico, uma série de erupções vulcânicas foi atalho para a extinção de quase tudo que havia na Terra. Cerca de 80% da vida no planeta desapareceu, principalmente as espécies que viviam no mar e nas águas. O que os paleontólogos não conseguiam explicar, até agora, é como alguns dinos superaram a tragédia climática e entraram soberanos no período Jurássico. O que os salvou? Um estudo recente, conduzido por uma equipe multinacional de cientistas, reuniu evidências de que havia gelo nas calotas polares e que as populações de animais confinadas nessas regiões desenvolveram condições para enfrentar o longo e tenebroso inverno que se abateu sobre o globo.

Os imensos animais se protegiam com as chamadas “protopenas” — escuras, mais parecidas com pelos do que com as estruturas afeitas aos pássaros. Os filamentos, portanto, não eram usados para voar, mas suspeita-se terem servido para isolamento térmico. Pesquisas recentes também mostram que muitos deles tinham sangue quente e metabolismo alto, ideais para manter o organismo em temperaturas razoáveis. “Os dinossauros estavam lá durante o Triássico evitando o radar o tempo todo”, diz o paleontologista americano Paul Olsen, da Universidade Columbia, líder de um grupo de trabalho cujas conclusões foram publicadas na revista Sciences Advances. “A chave para seu eventual domínio era muito simples. Eles eram animais fundamentalmente adaptados ao frio. Quando esfriou em todos os lugares, eles estavam prontos, e outros bichos, não.”

arte dinossauros

Espertos, souberam se esconder do apocalipse. A equipe de Olsen localizou também sítios subaquáticos na Bacia de Junggar, na China. Ali foram encontradas as primeiras evidências de que os dinossauros habitaram essas áreas durante períodos prolongados de temperaturas geladas, razoavelmente isolados. Formados há 206 milhões de anos, os lagos antigos estavam bem acima do Círculo Polar Ártico, e preservaram grandes seixos depositados em seus centros. Os pesquisadores encontraram pegadas de dinossauros perto das margens dos lagos, evidência de que estiveram na área durante os períodos frios.

NA CHINA - Bacia de Junggar: pegadas de dinossauros descobertas -
NA CHINA - Bacia de Junggar: pegadas de dinossauros descobertas – (Jiang Wenyao/AFP)

A Terra, convém lembrar, era um lugar inóspito, ocupada em grande parte pela Pangeia, o superbloco continental que logo depois se fragmentaria e daria origem aos seis continentes e cinco oceanos como estão dispostos hoje. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera variava entre 1 000 e 6 000 partes por milhão (ppm), o que fazia uma espécie de estufa planetária — o índice atual gira em torno de 400 ppm. Era um ambiente em grande parte quente e vaporoso, e os polos recebiam pouca ou nenhuma luz solar durante a maior parte do ano. Nas latitudes mais altas é que viviam populações de dinossauros maiores e mais massudos — a turma que conseguiu escapar da hecatombe. Nos trópicos, ficavam os répteis, incluindo parentes de crocodilos e outras criaturas.

Era essa a situação quando uma série de erupções pipocou no supercontinente, impulsionada pela situação climática. Não foram eventos isolados, mas em cadeia e de grandes proporções. Alguns, dizem os estudiosos, podem ter durado décadas e produziram fluxos vulcânicos de milhares de quilômetros cúbicos de volume. Com toneladas de cinzas e enxofre cuspidas para o céu, o Sol foi bloqueado, uma noite duradoura se instalou e as temperaturas caíram em toda a superfície terrestre, e não apenas nos polos. Em 1 milhão de anos, um período breve na contagem geológica, mais de três quartos de todas as espécies terrestres e marinhas do planeta foram extintas. Os dinossauros apartados e adaptados a temperaturas baixas, reafirme-se, foram capazes de sobreviver. A festa durou mais de 130 milhões de anos. Só sumiram do mapa com a chegada do asteroide Chicxulub, que caiu na Península do Yucatán, no México, há 66 milhões de anos, e os varreu da face da Terra. Estava aberta, enfim, a avenida para a humanidade, com suas delícias e horrores.

Publicado em VEJA de 27 de julho de 2022, edição nº 2799

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