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Nasa desenvolve arpão para ‘caçar’ cometas

A agência espacial americana quer trazer amostras intactas do interior dos cometas para investigar as origens do Sistema Solar e da vida na Terra

A Nasa está desenvolvendo uma espécie de arpão para ser lançado em cometas e coletar amostras desses corpos celestes, que são “sobras” da formação do nosso sistema solar. A composição dos cometas pode dar pistas importantes sobre o surgimento da vida na Terra.

Pedaços congelados de gelo, poeira cósmica e rochas, os cometas podem ter trazido ao nosso planeta, em impactos há milhões de anos, combustíveis que ajudaram a formar a vida. Em uma missão anterior, chamada Stardust, a agencia espacial americana encontrou aminoácidos em amostras de um cometa, o Wild 2. Os aminoácidos são blocos que constituem as proteínas, indispensáveis para os seres vivos, e regulam reações químicas.

O arpão é a opção mais viável para conseguir uma amostra da composição de um cometa porque pousar nele seria quase impossível. Além de viajarem a velocidades que podem chegar a 240 mil quilômetros por hora, os cometas praticamente não têm força gravitacional, já que não passam de alguns quilômetros de raio. Com a ideia do arpão, uma espaçonave poderia voar próxima ao objeto, lançar o projétil e puxá-lo de volta.

Testes – O protótipo está sendo desenvolvido no Centro de Voo Espacial Goddard, em Maryland, nos EUA, e ainda está no estágio inicial. Em um galpão, o corpo metálico de quase seis metros de altura está sendo jogado em galões cheios de materiais que emulam a composição dos cometas, como gelo, areia, sal e rochas. “Não temos certeza do que vamos encontrar no cometa. A superfície pode ser macia e fofa, majoritariamente constituída por poeira, pode ser de gelo misturado com pedras, ou mesmo sólida. Provavelmente haverá áreas com composições diferentes, por isso precisamos projetar um arpão que é capaz de penetrar uma gama razoável de material”, explica Donald Wegel, engenheiro chefe do projeto.

A nave que levar a missão a um cometa provavelmente carregará vários tipos de arpões e cargas de lançamento, preparada para as diferentes possibilidades. A ponta do arpão será oca e vai prender a amostra a vácuo, para evitar que o material seja “contaminado” por outros ambientes, como ocorre com as amostras a que os cientistas têm acesso atualmente.

Atualmente, a Agência Espacial Europeia está trabalhando em uma missão parecida, chamada Rosetta. Ela usará um arpão jogado na superfície do cometa “67P/Churyumov-Gerasimenko” em 2014. “O arpão Rosetta é uma concepção engenhosa, mas não coleta uma amostra”, diz Wegel. “Vamos pegar carona em seu trabalho e dar um passo a mais para incluir um cartucho de coleta de amostra”.

E outra missão da própria Nasa para conseguir uma amostra de um asteroide chamado OSIRIS-Rex irá reunir material de superfície usando um coletor especializado. No entanto, a superfície pode ser alterada pelo ambiente inóspito do espaço. “O próximo passo é retornar uma amostra do subsolo, pois contém o material mais primitivo e puro”, afirma Wegel.