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‘Nariz artificial’ pode detectar infecções sanguíneas

Cientistas criaram um dispositivo simples que muda de cor conforme o odor característico de bactérias

O odor liberado por bactérias pode ser usado para diagnosticar casos de infecções sanguíneas em humanos. É o que promete um novo teste criado pela Universidade Nacional de Kaohsiung, na República da China. De acordo com os pesquisadores, o novo exame é mais rápido do que os métodos atuais e não precisa de equipamentos caros e complexos, o que permite que ele seja utilizado mesmo em locais com poucos recursos.

“Nariz artificial”

“Nariz artificial” (/)

“Nariz artificial”: pigmentos mudam de cor em contato com odor das bactérias

“Temos uma solução para um grande problema com as culturas de sangue que os hospitais têm usado há mais de 25 anos para diagnosticar pacientes com infecções bacterianas transmitidas pelo sangue”, afirma James Carey, pesquisador da Universidade Nacional de Kaohsiung e um dos autores do estudo.

Segundo o pesquisador, com o uso da tecnologia atual, são necessárias cerca de 72 horas para o diagnóstico dessas infecções, enquanto o novo dispositivo pode reduzir esse tempo para apenas um dia. Essa diferença é importante no caso de infecções sanguíneas graves, em que o tempo decorrente até a aplicação da medicação correta é um fator determinante para a sobrevivência do paciente.

“Atualmente, é preciso incubar amostras de sangue por 24 a 48 horas só para verificar se alguma bactéria está presente. Então são necessárias outras 24 horas ou mais para identificar o tipo de bactéria, para que se possa selecionar o antibiótico correto. Até esse ponto, o paciente pode estar sofrendo danos em algum órgão ou até morrer”, afirma Carey, que apresentou a pesquisa neste domingo, no encontro nacional da Sociedade Americana de Química.

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“Nariz artificial” – O dispositivo consiste em uma pequena garrafa de plástico contendo uma solução nutritiva que possibilita o crescimento das bactérias. Para utilizá-lo, basta colocar uma amostra de sangue do paciente em seu interior, e colocar o recipiente em um misturador, estimulando as bactérias a se desenvolverem.

Um conjunto de sensores químicos, no interior da garrafa, funciona como um “nariz artificial”. Ele tem 36 pontos de pigmento, que mudam de cor de acordo com os compostos químicos presentes no odor emitido pela bactéria. Cada tipo de bactéria gera um padrão de cores diferente.

De acordo com Carey, o “nariz artificial” consegue identificar as oito bactérias causadoras de doenças mais comuns com quase 99% de precisão. Os pesquisadores estão trabalhando para expandir a capacidade do dispositivo para que ele possa identificar também outros micro-organismos que podem causar infecções graves.