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Jovens bonobos lidam com suas emoções como as crianças humanas

Pesquisa mostra que, como acontece com os seres humanos, os filhotes de bonobo que possuem uma capacidade maior de controlar suas emoções demonstram mais empatia em relação aos outros

Um estudo publicado nesta segunda-feira mostra que o desenvolvimento emocional dos filhotes de bonobo é semelhante ao das crianças humanas. Segundo a pesquisa, realizada pelo primatologista holandês Frans de Waal, os bonobos possuem a mesma tendência humana de aprender a lidar com suas emoções a partir do contato com outros seres de sua espécie – principalmente a mãe -, o que acarreta em um aumento de sua empatia em relação a seus semelhantes. Isso pode significar que o quadro emocional e social humano tem uma origem evolutiva mais antiga do que se pensava.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Development of socio-emotional competence in bonobos

Onde foi divulgada: periódico PNAS

Quem fez: Zanna Clay e Frans de Waal

Instituição: Universidade Emory, EUA

Dados de amostragem: Bonobos filhotes que habitavam um santuário localizado na República Democrática do Congo

Resultado: Os pesquisadores descobriram que os bonobos que eram capazes de lidar com suas próprias emoções também apresentam maior empatia em relação aos outros, oferecendo mais consolo quando eles sofriam

Junto com os chimpanzés, os bonobos (Pan paniscus) são os parentes evolutivos mais próximos dos seres humanos – o DNA de ambas as espécies é 1,3% diferente do Homo sapiens e 0,4% diferente entre si. Ao contrário do chimpanzé, no entanto, o bonobo é um animal extremamente empático e pacífico, não compete por hierarquia e parece mais preocupado em brincar do que se envolver em conflitos. “Isso torna a espécie candidata ideal para comparações psicológicas”, diz de Waal. “Qualquer semelhança fundamental entre os seres humanos e os bonobos remonta provavelmente a seu último ancestral comum, que viveu há cerca de seis milhões de anos.”

Os pesquisadores realizaram seu estudo em um santuário de bonobos localizado perto de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Muitos dos animais são levados após serem resgatados de caçadores ou traficantes e recebem ajuda para se recuperar dos traumas da captura. Alguns poucos bonobos nasceram ali mesmo, filhos de mães resgatadas.

A pesquisa foi realizada a partir de vídeos documentando a vida dos primatas do santuário, o que permitiu aos cientistas medir como eles lidavam com suas próprias emoções de forma cotidiana. Assim, eles conseguiram descobrir que alguns dos filhotes tinham uma capacidade maior de regular seus altos e baixos emocionais, sofrendo por menos tempo após passar por algum tipo de transtorno.

Os pesquisadores documentaram que esses bonobos capazes de controlar suas emoções eram justamente os que demonstravam sentir mais empatia quando algum semelhante estava sofrendo, oferecendo consolos como abraços e beijos. O mesmo se passa entre as crianças humanas: aquelas que possuem uma capacidade maior de lidar com suas próprias emoções reagem mais às emoções alheias e demonstram maior interação social.

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Família e sociedade – O santuário bonobo também inclui muitos filhotes órfãos, separados à força de suas famílias por seus captores. Ao chegarem ao local, recebem o cuidado de mães humanas substitutas, que os acompanham durante anos. Quando estão finalmente prontos para interagir com os outros, são transferidos para um recinto arborizado, onde convivem com bonobos de todas as idades.

Esse cuidado, porém, não substitui o da família original. “Em comparação com seus pares criados por suas próprias mães, os órfãos têm maior dificuldade em controlar sua excitação emocional”, diz Zanna Clay, pesquisadora da Universidade Emory, nos Estados Unidos, que também participou do estudo. “Esses bonobos costumavam ficar muito mais chateados. Depois de uma briga, gritavam por minutos, enquanto os jovens criados por suas mães superavam a derrota em segundos.”

Segundo Frans de Waal, o estudo das emoções animais tem sido um tabu científico, mas é importante por ajudar a descobrir informações valiosas sobre os seres humanos e sua vida em sociedade. “Ao medir a expressão de angústia e excitação dos grandes primatas, e como eles lidam com isso, nós fomos capazes de confirmar que a regulação da emoção é uma parte essencial da empatia. É a empatia que permite, tanto aos humanos quanto aos grandes primatas, lidar com o sofrimento alheio.”