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Homem pré-histórico já sofria com cáries há 15.000 anos

Descoberta põe em xeque a hipótese sustentada até agora de que as cáries teriam surgido com a agricultura, 4.000 anos mais tarde

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h15 - Publicado em 7 jan 2014, 14h11

Nossos antepassados já sofriam de dor de dente e mau hálito há 15.000 anos, muito antes do advento da agricultura e da produção de alimentos, que até agora eram vinculados ao aparecimento de cáries, revelam cientistas que estudaram esqueletos encontrados no Marrocos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Earliest evidence for caries and exploitation of starchy plant foods in Pleistocene hunter-gatherers from Morocco

Onde foi divulgada: periódico PNAS

Quem fez: Louise T. Humphrey, Isabelle De Groote, Jacob Morales, Nick Barton, Simon Collcutt, Christopher Bronk Ramsey e Abdeljalil Bouzouggar

Instituição: Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, e outras

Dados de amostragem: 52 esqueletos de adultos, encontrados no Marrocos

Resultado: A pesquisa mostrou que o homem pré-histórico já sofria de dor de dente e mau hálito há 15.000 anos, muito antes do advento da agricultura e da produção de alimentos, que até agora eram vinculados ao aparecimento de cáries

Os caçadores-coletores que viviam nas Cavernas de Taforalt, na região marroquina de Oujda, entre 13.700 e 15.000 anos atrás, sofriam com problemas de higiene bucal, destacou o estudo publicado no periódico PNAS. Os resultados mostraram que 51% dos dentes dos adultos encontrados tinham cáries.

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Indícios descobertos no local sugerem que estes humanos pré-históricos coletavam bolotas (um tipo de noz, fruto da azinheira), pinhões e frutas secas ricas em carboidratos fermentáveis. Os pesquisadores acreditam que as bactérias consumiam os carboidratos que permaneciam nos dentes destes homens, apodrecendo-os. “A maioria dos ocupantes desta caverna tinha cáries e abscessos dentários e deve ter sofrido de dor de dente e mau hálito”, destacou em um comunicado Isabelle DeGroote, professora de antropologia na Universidade John Moores de Liverpool, que participou do estudo.

A pesquisa envolveu 52 adultos, cujos esqueletos foram encontrados na década de 1950, e durante escavações mais recentes, iniciadas em 2003. Os cientistas usaram espectrômetro de massa para datar os restos nos dentes e microscópios para identificar os fósseis de matéria vegetal, entre eles bolotas, pinhões, pistaches e frutos do arbusto zimbro.

Para os pesquisadores, a frequência e a gravidade das cáries observadas neste grupo de humanos pré-históricos mostram claramente que comer plantas silvestres pode ser tão prejudicial para a saúde dos dentes quanto alimentos que contêm açúcar refinado nas sociedades modernas.

“Esta é a primeira vez que documentamos este tipo de comportamento na cultura ibero-mauritana”, disse Louise Humphrey, pesquisadora do Museu de História Natural de Londres e principal autora do estudo. “É também a primeira evidência documentada de exploração sistemática de recursos vegetais silvestres nos caçadores-coletores da África.”

Os ibero-mauritanos são descritos como “complexos caçadores-coletores” que faziam elaborados enterros de seus mortos, usavam pedregulhos para preparar a comida e se dedicavam a coleta e armazenamento de nozes silvestres, de acordo com a pesquisa.

Os resultados do trabalho também sugerem que estes grupos tinham uma vida mais sedentária do que se supunha. Segundo os autores, esta descoberta põe em xeque a hipótese sustentada até agora de que as cáries se originaram com a agricultura, há 11.000 anos.

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(Com Agência France-Presse)

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