Fósseis de insetos com 100 milhões de anos voltam para o Brasil
Peças raras da Chapada do Araripe foram identificadas após denúncia e serão encaminhadas para museu no Ceará; outros casos seguem em investigação na Europa

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou a repatriação de 25 fósseis de insetos levados clandestinamente para o Reino Unido. O material, com cerca de 100 milhões de anos, foi extraído da região da Chapada do Araripe, no Ceará, uma das mais ricas em fósseis do período Cretáceo — entre 145 e 66 milhões de anos atrás. Os itens estavam sendo anunciados ilegalmente em um site especializado na venda de rochas e fósseis, e sua devolução ao Brasil só foi possível após uma denúncia recebida em 2023.
Laudos paleontológicos confirmaram a origem brasileira dos fósseis ao identificar a presença da chamada pedra cariri, típica da Formação Crato, presente em municípios como Nova Olinda e Santana do Cariri, no Ceará. Com essas evidências, a Secretaria de Cooperação Internacional do MPF acionou autoridades britânicas para localizar o vendedor, reunir provas da venda ilegal e providenciar o retorno do patrimônio ao Brasil.
Para onde vão os fósseis agora?
As peças já estão em Brasília, sob custódia da Procuradoria-Geral da República, e serão transferidas para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no município cearense de Santana do Cariri. A instituição, vinculada à Universidade Regional do Cariri, será responsável pela guarda provisória e análise científica do material. Após os estudos, a expectativa é que os fósseis passem a integrar o acervo do museu, onde ficarão disponíveis para visitação pública.
A legislação brasileira proíbe, desde 1942, a extração, comercialização e exportação de fósseis sem autorização expressa do governo federal. Mesmo assim, por décadas, diversos itens foram levados irregularmente para coleções privadas e museus no exterior, muitas vezes sem qualquer registro científico. Desde 2022, mais de mil fósseis retirados da Chapada do Araripe foram recuperados pelo MPF.
Outros dois casos seguem em tramitação na Justiça da França: um deles envolve um esqueleto quase completo de pterossauro da espécie Anhanguera, com cerca de quatro metros de envergadura. O segundo inclui 45 fósseis de tartarugas marinhas, peixes, répteis, plantas e insetos, alguns com mais de dois milhões de anos. Estimativas apontam que o valor total desse conjunto pode chegar a 600 mil euros — cerca de R$ 4 milhões —, dada sua raridade e o nível de preservação.