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É mais fácil memorizar o status do Facebook de um desconhecido do que o seu rosto

Segundo pesquisa americana, pessoas se lembram mais das frases que leram na rede social do que da foto de alguém ou da frase de um livro

Uma nova pesquisa mostrou que o fato de haver um grande número de informações nas redes sociais e de elas circularem de maneira tão rápida não quer dizer que o nosso cérebro processe e se esqueça delas com a mesma velocidade. Segundo o estudo, feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, San Diego, nos Estados Unidos, é mais fácil nos lembrarmos com clareza do status de alguém no Facebook, mesmo que ele tenha vindo de uma pessoa estranha, do que do rosto de um desconhecido ou até da frase de um livro. O trabalho foi publicado na edição deste mês do periódico Memory & Cognition.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Major memory for microblogs

Onde foi divulgada: periódico Memory & Cognition

Quem fez: Laura Mickes, Ryan Darby, Vivian Hwe, Daniel Bajic, Jill Warker, Christine Harris, e Nicholas Christenfeld

Instituição: Universidade da Califórnia, San Diego, Estados Unidos

Dados de amostragem: 280 universitários

Resultado: As pessoas se lembram mais do status do Facebook de um desconhecido do que de frases retiradas de livros ou de fotos do rosto de uma pessoa estranha. Elas também memorizam mais trechos de comentários de leitores em notícias do que manchetes ou frases da própria reportagem.

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Para realizar a pesquisa, os autores selecionaram 280 estudantes universitários e pediram que eles lessem 100 frases tiradas de status de usuários do Facebook, 100 frases de até 25 palavras extraídas de livros e olhassem para uma série de fotografias de pessoas desconhecidas. Depois disso, os pesquisadores mostraram para os voluntários uma série de frases e imagens e perguntaram a eles quais delas eles haviam lido e visto anteriormente. No geral, os participantes se lembraram 50% mais dos status do Facebook do que das frases retiradas de livros e 2,5 vezes mais dos status da rede social do que das fotos do rosto dos desconhecidos.

Como os pesquisadores “uniformizaram” as frases dos livros e dos status do Facebook – retirando, por exemplo, palavras escritas em caps lock ou então com excesso de pontuação – eles acreditam que a diferença na memorização não tenha relação com fatores visuais. Em vez disso, eles sugeriram que o achado possa ter a ver com o fato de ser mais fácil decorar uma conversa despretensiosa com um tom de “fofoca” do que uma frase elaborada retirada de um livro.

Nova prova – Para testar essa hipótese, a equipe de pesquisadores repetiu o teste – mas, desta vez, os voluntários leram manchetes de notícias, frases retiradas de notícias de última hora e de reportagens de entretenimento e trechos de comentários dos leitores. Segundo o estudo, as frases mais memorizadas pelos participantes foram as extraídas dos comentários. Além disso, eles se lembraram mais das manchetes do que das frases de reportagens e mais dos trechos de matérias de entretenimento do que de notícias de última hora.

“A memória notável que temos para os microblogs não se deve simplesmente ao assunto das frases, mas sim ao fato de elas serem fruto da espontaneidade e fonte natural da mente humana”, escreveram no artigo. Ou seja, memorizamos melhor as informações de redes sociais e de comentários de leitores porque eles se aproximam da forma com que nos comunicamos no dia-a-dia. “Parece que, com o crescimento do número de blogs, mensagens de texto e redes sociais, a linguagem escrita se aproximou do discurso natural, com menos edição e contemplação. Isso é surpreendente e nos dá um vislumbre de como funciona nossa memória e aprendizado”, diz Laura Mickers, que coordenou o estudo.