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Coração feito com células-tronco é capaz de bater sem ajuda de aparelhos

O órgão foi regenerado a partir de células-tronco humanas colocadas na estrutura do coração de um camundongo. Ele ainda não pode ser usado em transplantes

Pela primeira vez, um coração feito em laboratório a partir de células humanas foi capaz de se contrair e apresentar batimento. Cientistas relataram o avanço em um estudo publicado nesta terça-feira, no periódico científico Nature Communications.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Repopulation of decellularized mouse heart with human induced pluripotent stem cell-derived cardiovascular progenitor cells

Onde foi divulgada: periódico Nature Communications

Quem fez: Tung-Ying Lu, Bo Lin, Jong Kim, Mara Sullivan, Kimimasa Tobita, Guy Salama e Lei Yang

Instituição: Universidade de Pittsburgh, EUA, e outras

Resultado: Um coração feito com células-tronco pluripotentes induzidas, obtidas a partir de células humanas da pele, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas apresentou batimento espontâneo em laboratório.

A equipe de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos, criou o coração usando células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são obtidas a partir de células humanas da pele e podem se transformar em qualquer tipo de célula, e uma estrutura tridimensional resultante de um coração de camundongo que teve todas as células removidas em laboratório.

As células-tronco pluripotentes foram tratadas em laboratório para se diferenciarem em células cardíacas progenitoras multipotentes (MCP), capazes de originar diferentes tipos de células que formam o coração. “Ninguém tinha tentado utilizar essas células para regeneração cardíaca antes. Nós descobrimos que a matriz extracelular do coração – material a partir do qual é feita a estrutura do coração – emite sinais que guiam as células MCP para que elas se tornem as células especializadas que são necessárias para o funcionamento correto do coração”, explica Lei Yang, professor de biologia do desenvolvimento na Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, e um dos autores do estudo.

Inseridas na estrutura tridimensional, composta de proteínas e carboidratos aos quais as células aderem, as células cresceram e originaram um músculo cardíaco. Após 20 dias sendo irrigado com sangue, o órgão reconstruído começou a se contrair novamente, a uma taxa de 40 a 50 batimentos por minuto.

Ainda é preciso, porém, encontrar formas para fazer o coração se contrair forte o suficiente para bombear sangue de forma eficaz e reconstruir o sistema de condução elétrica do coração – para um adulto, o ritmo cardíaco normal varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. “Ainda estamos longe de fazer um coração humano completo. No entanto, nós oferecemos uma nova fonte de células – células MCPs derivadas de iPS – para a futura engenharia de tecido cardíaco”, afirma o pesquisador.

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Perspectivas – Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 17 milhões de pessoas morram de problemas cardiovasculares todos os anos, a maioria vítima de doenças do coração. Yang acrescenta ainda que mais de metade dos pacientes com doenças cardíacas não respondem adequadamente às terapias existentes, e a quantidade de órgãos disponíveis para transplante não é suficiente.

“Um dos nossos objetivos futuros é estudar a possibilidade de criar um implante de músculo cardíaco humano. Nós poderíamos usá-lo para substituir uma região danificada por um ataque cardíaco. Isso pode ser mais fácil de conseguir, porque não vão ser necessárias tantas células quanto um coração completo precisaria”, afirma Yang.

(Com Agência France-Presse)