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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Política

Não fosse o risco de emporcalhar o blog com as centenas de comentários que a Al Qaeda eletropetralha me manda, eu publicaria aqui os seus comentários para que se pudesse constatar o quanto eles se parecem com os daqueles que estão certos de que o PSDB nada mais é do que a outra face — […]

Por Reinaldo Azevedo 14 ago 2007, 23h19 | Atualizado em 31 jul 2020, 22h15
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Não fosse o risco de emporcalhar o blog com as centenas de comentários que a Al Qaeda eletropetralha me manda, eu publicaria aqui os seus comentários para que se pudesse constatar o quanto eles se parecem com os daqueles que estão certos de que o PSDB nada mais é do que a outra face — ou a mesma, porém arrumadinha — do PT. O ódio a FHC, por exemplo, é idêntico. Algumas afirmações são precipitadas, coisas percebidas de orelhada, aprendidas de soslaio.

Lembro-me que apontei, certa feita (na verdade, nem sei se aqui ou ainda no Primeira Leitura; teria de procurar), a injustiça cometida por Álvaro Vargas Llosa, Plínio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner no Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. Por quê? Incluíram FHC na lista — na verdade, a chamada Teoria da Dependência. Era desinformação, leitura apressada. Até porque “teorias da dependência” há muitas, incluindo aquela contida no livro Dependência e Desenvolvimento na América Latina, escrito em parceria com Enzo Faletto. Trata-se de um falso mito a suposição de que os dois afirmaram as impossibilidades de se desenvolver uma sociedade capitalista nos países então chamados “periféricos”. Era justamente do contrário. O FHC que viria a ser presidente da República pelo PSDB já estava ali. E onde estava o PT? Num livro praticamente contemporâneo: O Colapso do Populismo no Brasil, de Octavio Ianni. A sua tese: ou socialismo ou rendição ao atraso perene.

Não, não é verdade. O PSDB e o PT têm raízes absolutamente distintas. FHC e Lula foram juntados, num dado momento da trajetória, pela ditadura. Mas se distinguiram também — e já durante a ditadura, é bom que fique claro. Ah, sim, volto ao ponto: não sei qual dos três autores — ou os três — leu o livro ou avaliou a obra de FHC, mas o fato é que a nova edição do Manual excluiu FHC do grupo. Ou será que a famosa trinca também pode ser posta sob a influência da esquerda?

Eu tenho críticas severas ao PSDB? Ah, tenho, sim. No artigo que escrevi para a VEJA, leiam ali abaixo, expus algumas dessas reservas: há questões que são econômicas e outras que são políticas — muitas delas comportamentais. É evidente que o PSDB não é o partido conservador dos meus sonhos. Quando se fez o tal do plebiscito sobre a proibição da venda de armas legais, por exemplo, afirmei que os tucanos deveriam adotar o “Não”, que saiu vitorioso. Eles não tiveram uma opinião oficial, mas muitos de seus representantes fizeram proselitismo em favor do “Sim”. Se bem se lembram, dei a cara ao tapa. Participei de um debate no Estadão com um coronel. Imaginem só. Ele pelo “sim”, e eu, que nunca botei a mão numa arma (e nem pretendo), pelo “não”. Eu e os tucanos não temos a mesma agenda. Leiam o artigo que está na VEJA. Algumas das questões que considero relevantes e que são ignoradas pelo partido estão ali.

Mas daí ao “tudo é a mesma coisa”… Calma lá! Vai uma grande diferença. Acho que é preciso pôr uma certa hierarquia nesse debate. Afirmar que o governo do PSDB-PFL (agora DEM) fez o jogo das esquerdas é negar, enfim, a percepção que elas próprias têm do processo. Vá lá! Elas podem não ser o melhor juiz disso tudo. Que se veja, então, qual é a percepção do jornalismo de esquerda ou filopetista. Até hoje, ele se alimenta da demonização das privatizações. Com efeito, quando penso nas inclinações esquerdistas de Pedro Malan, Gustavo Franco ou André Lara Resende, tremo nas bases só de pensar no risco que corremos…

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Estar isolado num ponto de vista não é prova de que se está errado. Eu sou o primeiro a declará-lo. Mas também não é prova de que se está certo. O desmonte da arquitetura petista precisará conta com forças políticas para operá-lo. Quem? Se o PSDB e o DEM — e os meus leitores sabem o quanto posso ser azedo na crítica a ambos — não servem, então quem serve? Sim, do ponto de vista puramente conceitual, não haver outras forças viáveis não torna aquelas que temos automaticamente certas, sem defeitos. Mas aqui é preciso matizar.

Hoje, os que não são de esquerda mimetizam o comportamento do tempo em que as esquerdas estavam na oposição. Qualquer divergência é logo motivo para o racha, para a nuclearização da luta política. “Ah, o PSDB e o DEM são tolerantes com a união dos gays? São? Então não nos servem. São iguais ao PT”. Ou ainda: “O PSDB e o DEM agora falam de aquecimento global, como a esquerda americana? Ah, então estão rendidos à esquerda também”. Olhem aqui: esses debates são importantes — e eu os faço aqui —, mas a distinção que me interessa são aquelas relativas à concepção de estado de cada partido. Apontar os erros, as omissões, as covardias dos oposicionistas é uma obrigação. E eu a cumpro com dureza. Meus textos falam por mim. Igualar os desiguais corresponde a fazer o jogo de quem está no poder e detém os instrumentos para impor a sua política. Na prática, corresponde a fazer o jogo do bandido.

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