Oferta Inédita: Assine por apenas 7,99

Como os macacos aprenderam a furtar?

Segundo pesquisa, a habilidade pode ser 'tradição' de alguns animais. Compreendê-la pode ajudar a decifrar as origens do comportamento em ancestrais humanos

Por Da Redação 26 Maio 2017, 18h22 | Atualizado em 4 jul 2026, 14h20
Como os macacos aprenderam a furtar? Priorizar nos meus resultados Google

Visitantes do Templo de Uluwatu na ilha de Bali, na Indonésia, enfrentam furtos e extorsões há alguns anos. Os ladrões? Macacos da espécie Macaca fascicularis, típica do sudeste asiático. Ao longo do tempo, eles ficaram craques em surrupiar objetos que pertencem aos turistas, como óculos, chapéus, chinelos e até joias e só os devolvem em troca de alimentos. Mas não é qualquer tipo de comida que os satisfaz. Muitas vezes, banana ou cereais oferecidos pelos funcionários do templo são rejeitados como recompensa. É preciso saber exatamente do que eles gostam.

Apesar de o comportamento ter sido estudado em cativeiro, uma análise liderada pela primatologista Fany Brotcorne, da Universidade de Liège, na Bélgica, foi a primeira a investigá-lo no ambiente natural, para descobrir como e por que os furtos em troca de alimentos se espalharam entre os macacos. Os resultados, publicados na revista científica Primates na última semana, indicam que a atitude é transmitida pelos animais. Segundo os pesquisadores, a prática de furto e extorsão pode ser uma nova tradição comportamental da espécie e compreender seu funcionamento deve ajudar a decifrar como as práticas evoluíram em ancestrais humanos.

 

Macacos ladrões

Furtos e a habilidade de trocar objetos (às vezes à força) são características que costumam ser reconhecidas como exclusivamente humanas. Os comportamentos são pouco estudados em espécies animais e, para compreender como os macacos de Bali aprenderam a furtar e trocar os objetos de turistas por alimentos, a equipe liderada por Brotcorne, composta de biólogos, antropólogos e psicólogos, resolveu acompanhar e mapear o hábito nos animais.

Durante quatro meses de 2010, os cientistas  mapearam o comportamento de quatro grupos de Macaca fascicularis que residiam nas proximidades do templo. Em todas as populações os pesquisadores registraram o roubo e extorsão, sendo que nos dois agrupamentos que tinham interações mais frequentes com humanos foram registrados maiores quantidades de furtos. Nos anos seguintes, os cientistas observaram também um quinto grupo, que passou a residir perto do templo e aprendeu a técnica com os macacos que já viviam no local.

Os pesquisadores constataram que a técnica aprendida pelos macacos está diretamente relacionada à interação com os humanos —  quanto mais tempo os animais convivem com os visitantes, mais eles desenvolvem os furtos e transmitem a técnica para gerações futuras do bando. Outra descoberta foi que, quanto maior a presença de machos jovens nos bandos, mais frequentes eram os roubos.

Continua após a publicidade

A partir das observações, a equipe concluiu que o comportamento é espontâneo, ou seja, não é inato, mas é um aprendizado cognitivo passado de indivíduo para indivíduo. Depois de assimilado, torna-se um costume dentro dos grupos. No entanto, em outros templos de Bali cheios de turistas e macacos, a ação não ocorre, o que pode ser um indício de uma “tradição” dos macacos do local.

Para entender melhor esses roubos, os cientistas pretendem fazer uma pesquisa mais extensa, com mais macacos de diferentes localidades.

Confira o vídeo de um roubo feito por um dos cientistas do estudo:

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA CAMPEÂ

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).