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Como 7 mil corpos acabaram enterrados sob universidade nos EUA?

Restos mortais pertencem a pacientes da primeira instituição de saúde mental do Mississipi e estão espalhados por oito hectares do campus

Por Da Redação
9 Maio 2017, 18h00 • Atualizado em 10 Maio 2017, 17h04
  • Especialistas da Universidade do Mississipi estimam que 7.000 corpos estão enterrados embaixo do campus do Centro Médico da instituição, em Jackson, capital do estado, nos Estados Unidos. Eles pertencem a pacientes da primeira instituição de saúde mental do estado, chamada de Insane Asylum (sanatório dos loucos, em inglês), que funcionou no local de 1855 a 1935. A princípio, foram descobertos 66 restos mortais em 2013, durante a construção de uma estrada que passava pelo local. Contudo, análises recentes, divulgadas na semana passada, revelaram que o número pode ser bem maior. Os pesquisadores da Universidade acreditam que os corpos estejam espalhados por oito hectares da instituição, o que equivale a, aproximadamente, oito campos de futebol.

    A instituição planeja fazer a exumação e, se possível, identificação de todos os corpos. Também fazem parte dos planos a construção de um jazigo subterrâneo para acomodar os esqueletos, com um memorial e um laboratório anexo para o estudo dos vestígios, bem como as roupas e os caixões. Se concretizado, o espaço seria o primeiro do tipo nos Estados Unidos, com importantes registros de como era a saúde nos séculos XIX e XX.

    Mississippi State Lunatic Asylum
    Pesquisador faz a medição de caixão encontrado no campus da Universidade de Mississippi (University of Mississipi/Divulgação)

    No entanto, devia ao alto custo, o plano segue apenas no papel. De acordo com os cálculos dos cientistas seriam gastos três mil dólares para exumar cada corpo, ou seja, 21 milhões de dólares no total, o equivalente a 65 milhões de reais. Para baratear o processo, a própria instituição estuda fazer o procedimento, que levaria oito anos com um custo de 3,2 milhões de dólares. Para comandar o projeto, pesquisadores da instituição formaram o Consórcio de Pesquisa sobre o Asilo Hill, do qual participam antropólogos, arqueólogos, historiadores e até especialistas em datar a madeira dos caixões.

    Saúde mental

    Antes da construção do sanatório, segundo registros da época, os pacientes com doenças mentais sofriam maus tratos, sendo confinados em prisões, masmorras e sótãos. Com a inauguração do Insane Asylum, 1.376 pacientes foram tratados de 1855 a 1877. Estima-se que um a cada cinco morreram internados.

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    Depois da Guerra Civil americana (1861 – 1865), a instituição foi expandida para acomodar mais 300 pacientes e sua área passou a ser conhecida como “Asylum Hill” (colina do asilo, em inglês), que dá nome à iniciativa da Universidade. Em seu auge, a instituição chegou a abrigar 6.000 pacientes.

    Em 1935, o governo do estado do Mississipi moveu o asilo para sua localização atual, o Hospital Estadual Whitfield e, duas décadas mais tarde, começaram as construções da Universidade no local. Em 2014, durante a edificação de uma garagem, funcionários da Universidade encontraram mais mil caixões e, segundo investigações feitas na época, estariam enterrados dois mil ao todo na área. As novas pesquisas feitas no local sugerem que o número seja pelo menos três vezes maior, o que constituiria um dos maiores bancos de dados sobre as condições de saúde do período nos Estados Unidos.

    Mississippi State Lunatic Asylum
    Acadêmica da Universidade de Mississippi estuda ossos encontrados no campus (University of Mississipi/Divulgação)
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