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Cérebro pode ficar acordado e dormir ao mesmo tempo

Quando a mente está cansada, certas regiões cerebrais podem desligar, enquanto outras permanecem ativas

Por Da Redação
27 abr 2011, 21h56 • Atualizado em 6 Maio 2016, 17h08
  • A pesquisa mostrou que, mesmo quando todas as aparências indicavam que os animais estavam acordados e ativos, partes do cérebro permaneceram adormecidas enquanto outras continuavam despertas

    Se você já se martirizou por não saber onde guardou as chaves ou os óculos e acha que é distraído ou esquecido demais, pense melhor: esses lapsos podem ser um sinal de que você precisa dormir mais.

    Estudo publicado na revista britânica Nature sugere que o cansaço pode fazer o cérebro ‘adormercer’ por frações de segundo. As consequências podem ser graves especialmente para pessoas responsáveis por tarefas que exigem alerta constante.

    “Mesmo antes que você sinta a fadiga, há sinais no cérebro de que você deveria interromper certas atividades”, explica Chiara Cirelli, professora de psiquiatria da Universidade de Wisconsin, em Madison, nos Estados Unidos. “Grupos específicos de neurônios podem adormecer, com consequências negativas para a performance”, diz.

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    A pesquisa desafia o senso comum de que a falta de sono afeta o cérebro inteiro.

    A teoria convencional se baseia na observação de eletroencefalogramas, que revelam os padrões de atividade elétrica nos neurônios – mas possuem limitações. Seus eletrodos são posicionados no couro cabeludo, o que significa que captam melhor o sinal dos neurônios próximos ao crânio em relação aos localizados nas camadas mais profundas do cérebro. O procedimento resumema atividade de centenas de milhões de neurônios, sem analisar células isoladamente.

    Para contornar esta limitação, Cirelli e seus colaboradores inseriram sondas ultrafinas dentro do cérebro de onze camundongos adultos para monitorar a atividade elétrica em subgrupos de neurônios no córtex motor, responsável pela coordenação motora ‘semiautomática’.

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    Os roedores foram mantidos acordados durante quatro horas além do horário em que normalmente vão dormir, com a ajuda de objetos novos introduzidos na gaiola para mantê-los interessados – e ativos.

    O monitoramento cerebral mostrou que, mesmo quando todas as aparências indicavam que os animais estavam acordados e ativos, neurônios nestas áreas específicas não estavam funcionando – em outras palavras, partes do cérebro permaneceram adormecidas enquanto outras continuavam despertas.

    “Mesmo quando alguns neurônios pararam de funcionar, as medições cerebrais através do eletroencefalograma indicavam, de maneira geral, que as cobaias estavam acordadas”, diz Cirelli. Esses episódios de “sono localizado” afetaram o comportamento dos camundongos, segundo os cientistas.

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    A experiência – Os animais foram treinados por duas horas para realizar uma tarefa complicada: segurar uma bolinha de açúcar com uma única pata. Quanto mais cansados ficavam, mais difícil para os roedores ficava o trabalho. Eles começaram a deixar cair as bolinhas, ou então não conseguiam pegá-las quando oferecidas.

    Era necessário que apenas que alguns neurônios “saíssem do ar” por um terço de segundo para que as falhas ocorressem, destaca Cirelli. “Dos vinte neurônios que acompanhamos durante um experimento, dezoito permaneceram acordados”, explica. “Nos outros dois, havia sinais de sono – alternância entre períodos breves de atividade e períodos de silêncio”.

    (Com Agência France Presse)

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