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Brasileiros descobrem “primo” do cometa Halley

Ele passa próximo ao Sol em intervalos periódicos, como o famoso cometa. Este é o quarto descoberto pelo observatório Sonear, composto por um trio de astrônomos amadores que busca objetos próximos da Terra

Três brasileiros descobriram um novo cometa, “primo” do Halley, nesta semana. Ele foi identificado pelas lentes do telescópio do Sonear (sigla para Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research), um observatório particular perto de Oliveira, cidade a 120 quilômetros de Belo Horizonte. Este é o quarto a ser encontrado pela equipe de astrônomos amadores, que vasculha os céus em busca de objetos próximos da Terra. Visto pela primeira vez em 24 de agosto, o novo cometa foi oficializado na última terça-feira (1) pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês).

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Seu nome é P/2015 Q2 Pimentel, em homenagem a Eduardo Pimentel que, junto com Cristóvão Jacques e João Ribeiro, é responsável pelo observatório. O cometa tem uma órbita periódica, ou seja, passa em intervalos constantes bem perto do Sol e, assim, pode ser visto pelos telescópios da Terra. Ele tem fases entre 20 e 200 anos, como as da família do famoso Halley. O cometa Pimentel completa sua volta ao redor do Sol em 21,3 anos (o Halley faz isso em 76 anos).

“Ele vai atingir seu ponto mais próximo do Sol em 10 de setembro e ficará visível por dois ou três meses. Depois, voltará a ser visto apenas daqui a duas décadas”, disse Jacques ao site de VEJA.

Mesmo próximo ao Sol, quando os cometas costumam sofrer alterações químicas e físicas por causa do calor e ter sua cauda mais visível, o cometa Pimentel não poderá ser visto a olho nu. De acordo com Jacques, ele só poderá ser observado por meio de telescópios, pois não é muito brilhante e sua cauda ainda é curta.

Descobertas brasileiras – Todos os cometas “brasileiros” já encontrados são descobertas do Sonear. O primeiro, C/2014 A4 Sonear, foi descoberto em janeiro do ano passado, o segundo, dois meses depois, e o terceiro, em abril deste ano.

O trio de observadores mineiros começou a vasculhar o céu em busca de objetos próximos à Terra em 1999. Jacques é engenheiro, Eduardo é advogado e Pimentel é jornalista e professor. Eles costumam dedicar as horas vagas às descobertas astronômicas. Em 2009, iniciaram o planejamento do observatório, que começou a funcionar em dezembro de 2013.

Eles tiram fotos à noite e, durante o dia, analisam o material. São os únicos a procurar objetos assim – que envolvem corpos que podem se chocar com a Terra – no Hemisfério Sul.

Pelos seus serviços à ciência, o Sonear recebeu recentemente o prêmio Edgar Wilson, concedido pelo Smithsonian Astrophysical Observatory, importante observatório dos Estados Unidos.