BNDES atua para fortalecer cadeia de restauro florestal
Apoiar a transição justa para a economia de baixo carbono orienta a estratégia do BNDES, que financia ações sustentáveis de norte a sul do país

As ações de conservação ambiental são comprovadamente eficazes em dois terços dos casos, independentemente de localização geográfica, sistema político local e bioma do projeto. Essa foi a conclusão a que chegou um estudo publicado em 2024 na revista Science, com base na análise de 186 pesquisas e 665 ensaios de diferentes partes do mundo. Ao todo, foram cobertos mais de 100 anos de ações de preservação ou recuperação da biodiversidade, incluindo iniciativas realizadas no Brasil.
De fato, entre as ações ambientais mais eficazes está a restauração florestal, especialmente num contexto de crise climática com aumento da temperatura global. Além de avançar na proteção ao meio ambiente, restaurar as florestas é a forma mais eficiente e barata de promover a captura de carbono com escala, conservar a biodiversidade e gerar oportunidades econômicas com ganhos para o desenvolvimento das comunidades locais. Não à toa, o BNDES passou a encarar a agenda de florestas como uma pauta estratégica para o país e para o banco.
“O BNDES está de olho no futuro. O banco voltou como um BNDES inovador, digital, inclusivo, neoindustrializante e, também, como um BNDES verde. Estamos fazendo um esforço gigantesco para blindar a floresta, para refazer a cobertura florestal com espécies nativas, que é uma forma de sequestrar carbono em grande escala. Essa é uma de nossas prioridades estratégicas”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, na abertura do States of the Future, evento internacional do GT de Desenvolvimento do G20, que o BNDES sediou no Rio, no segundo semestre de 2024.

Um dos programas apresentados pela Diretoria Socioambiental do BNDES nesse evento foi o Arco da Restauração, que são frentes de recuperação da vegetação em grandes áreas desmatadas. Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o BNDES vem trabalhando nos últimos dois anos para fortalecer a cadeia de restauro no país.
“Em 2023, com a retomada do compromisso socioambiental, avaliamos que o perfil do desmatamento exigia não só o fortalecimento das políticas públicas de monitoramento e controle, mas também que se promovesse a reconstrução da floresta”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Para lançar o projeto, o governo federal priorizou o reflorestamento de uma região amazônica conhecida como Arco do Desmatamento. O objetivo é criar um cinturão de restauro e de proteção e transformar esse território no Arco da Restauração. Já foi investido R$ 1 bilhão na iniciativa por meio do Fundo Amazônia e do Fundo Clima. A pretensão do Brasil é reconstruir 24 milhões de hectares de floresta nativa até 2050, retirando 1,65 bilhão de toneladas de CO2. Uma iniciativa estimada em cerca de US$ 40 bilhões.

Os benefícios vão além do clima. Reconstruir a floresta permite a um só tempo: capturar carbono; preservar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, garantindo chuva abundante dos rios voadores amazônicos para produção de alimentos e controle de pragas; criar uma barreira contra o desmatamento; e, ainda, gerar emprego e renda para a população local, tendo a restauração produtiva como uma das diretrizes. “O Brasil tem tecnologia, vontade política, capacidade de mobilizar a cadeia de restauro e já começou a fazer. O banco está assumindo essa missão como uma frente não só inovadora, mas economicamente rentável e que tornará o Brasil referência em restauro no mundo”, avalia a diretora.
Nesse sentido, o banco lançou a iniciativa BNDES Florestas. Trata-se de um conjunto de ações, já em andamento, para promover e estimular os investimentos públicos e privados no setor florestal. O BNDES Florestas tem embaixo de seu guarda-chuva ações como concessões florestais e programas como o BNDES Floresta Crédito, o próprio Arco da Restauração e o Floresta Viva, além de estudo sobre a cadeia do restauro.
Com parte dos recursos pelo Fundo Clima, o BNDES Floresta Crédito tem dotação de R$ 1 bilhão para impulsionar os investimentos privados no desenvolvimento da cadeia de restauro. O programa está disponível para empresas que atuem nos segmentos de manejo florestal sustentável, recomposição da cobertura vegetal e concessão de floresta, entre outros. Para os empresários, além das taxas atrativas, existe outra vantagem: a garantia pessoal pode ser dispensada parcial ou completamente, sendo a garantia real mínima de 100% do valor do crédito.
Floresta Viva

Outra iniciativa do BNDES Florestas, o Floresta Viva, apoia projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais em todos os biomas brasileiros, além de atuar na estrutura técnica e no fortalecimento da gestão da cadeia produtiva do setor de restauração. Foram, até agora, R$ 483,8 milhões doados, que, somados a R$ 250 milhões previstos do Fundo Socioambiental do BNDES, resultam em R$ 733,8 milhões de recursos não-reembolsáveis previstos para investimentos durante sete anos. O objetivo é atingir entre 25.000 e 35.000 hectares de área restaurada, com a retirada de oito a 11 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, considerando um ciclo de crescimento da vegetação de 25 anos.
“O papel do BNDES vai além do financiamento à preservação da biodiversidade. A instituição consegue contribuir para todas as 23 metas estabelecidas no âmbito da
Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) para 2030”, escrevem Carlos Nobre e Izabella Teixeira, membros do Conselho de Administração do BNDES, na publicação “Biodiversidade – Compromisso do BNDES com a natureza”, lançada na 16a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP 16), realizada em Cali, na Colômbia. “Estamos olhando com muito rigor para estimular aquilo que descarboniza e reduz as emissões para termos um balanço verde, que é o
balanço de um banco do futuro”, diz Mercadante.
FOCO NA BIODIVERSIDADE
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