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2014: a Copa do 3D

O Brasil está desenvolvendo uma tecnologia para gravação 3D em alta definição para exibir durante a Copa. E as TVs 3D devem ficar quatro vezes mais baratas até lá

Se você não conseguir ingresso para assistir ao Brasil vencer a Argentina na final da Copa do Mundo de 2014, uma boa alternativa será ver o jogo em um cinema, em 3D e, além disso, em alta definição. A tecnologia para tornar isso possível está sendo desenvolvida no Brasil, por uma equipe liderada por Jane de Almeida, 46 anos. Psicóloga de formação, mestre e doutora em comunicação pela PUC-SP, e pós-doutorada em História da Arte pela Universidade de Harvard, ela comanda um grupo de pesquisadores da Universidade Mackenzie, de São Paulo, e da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, que trabalha para deixar o Brasil entre o seleto grupo de países na vanguarda da tecnologia tridimensional.

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Jane pesquisa uma nova técnica denominada 4K, desde 2008, quando foi professora visitante na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Hoje, o cinema convencional digital é chamado de 2K, em referência ao número de pixels que definem a qualidade de resolução da tela – cerca de 2.000 horizontais – enquanto a 4K possui cerca de 4.000. Como as proporções dobram nas duas medidas (horizontal e vertical), a qualidade final é quatro vezes maior.

O grupo foi um dos escolhidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para pesquisar inovações tecnológicas para a Copa de 2014. “A ideia do projeto 2014K é que a gente consiga transmitir gratuitamente, para cinco continentes, jogos dos três maiores estádios durante a Copa do Mundo no Brasil”, afirmou Jane. No entanto, ela explica que a tecnologia ainda está em desenvolvimento e ainda longe de ser aplicada comercialmente em cinemas e televisões. “As transmissões durante a Copa serão gratuitas porque elas são de caráter experimental, e organizadas pelo meio acadêmico”.

A equipe de Jane ganhou o reforço do americano Keith Collea, especialista em 3D que trabalhou nas filmagens do fenômeno de bilheteria Avatar, do diretor James Cameron. Com ajuda de Collea, registraram a final do Campeonato Gaúcho, entre Grêmio e Internacional, usando um sistema com duas câmeras de cinema 4K. O resultado foi um clipe de 10 minutos em 3D que foi apresentado na Copa do Mundo da África do Sul. O feito nunca havia sido realizado antes. “Foi novidade até para a equipe de James Cameron”.

Foi a primeira vez no mundo que se filmou em 4K com duas câmeras. Ela garante que o resultado é surpreendente. “As pessoas que assistiram ao nosso clipe ficaram impressionadas com a sensação de profundidade dessa tecnologia, muito superior à convencional”. Ela explica que isso só é possível por causa do ganho de quatro vezes na resolução.

Na TV – Enquanto as pesquisas para melhorar a tecnologia 3D ocorrem no cinema, ainda há muita indefinição sobre o que irá acontecer com as televisões. Durante o ano de 2006, ano da Copa do Mundo na Alemanha, a venda de televisores LCD subiu 503%, de acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

Naquela época, televisores LCD de 42 polegadas chegavam a custar até R$ 8.000. Hoje, é possível encontrá-las por quatro vezes menos. Em 2006, nenhuma emissora de TV transmitia imagens que justificavam a qualidade dos monitores. Só com a TV digital brasileira, estabelecida em 2007, os consumidores puderam tirar bom proveito do dinheiro investido. E todos os jogos da Copa da África foram transmitidos em alta definição tanto pelas Tvs abertas quanto pelos canais por assinatura.

A mesma história tende a se repetir agora. Uma nova leva de aparelhos surgiu no mercado, prometendo transmitir imagens em 3D. Os preços são semelhantes aos que custavam os antigos LCDs, quatro anos atrás. Da mesma forma, quase nenhuma emissora de TV capta imagens em 3D e não possui planos definidos para a Copa, mas são grandes as chances de, até lá, oferecerem a tecnologia. Tudo para você ver em casa, e em três dimensões, o Brasil levantando a taça do hexacampeonato.