“Queremos relação de longo prazo com o Brasil”, diz CEO de site de apostas
Representante de empresa que patrocina o Brasileirão aguarda regulamentação prometida por Haddad
O advogado Marcos Sabiá é o CEO do site de apostas Galera.bet, que chegou ao Brasil no início do ano passado. Desde então, ele e outros players do mercado esperam pela tão falada regulamentação do setor, prometida desde o fim de 2018, quando o ex-presidente Michel Temer sancionou uma lei que permite o funcionamento dessas empresas. O passo seguinte, o das regras do jogo, passou toda a gestão de Jair Bolsonaro parado no campo da negociação política.
Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), determinou que sua pasta vai estabelecer, por meio de uma Medida Provisória e sucessivas portarias, o que pode e não pode no segmento, que movimenta 15 bilhões de reais por ano, mas não gera nenhum centavo de imposto ao governo federal.
Na entrevista a seguir, Sabiá, cuja empresa patrocina o Campeonato Brasileiro de futebol e jogos da Confederação Brasileira de Basquete, fala sobre a atuação da companhia e do impacto positivo que a regulamentação terá no mercado.
Como o senhor avalia a necessidade de o setor de apostas ser regulamentado no Brasil? Os grandes grupos que atuam no Brasil estão sob uma lei que os autoriza a operar, mas temos um limbo jurídico. Existe uma grande preocupação das empresas em operar aqui por causa das incertezas, da falta de tributação e regularidade. Por isso, elas atuam lá fora. A Galera.Bet está sediada em Curaçao [no Caribe] devido a uma preocupação nossa de estar em um local que possua segurança jurídica.
A regulamentação mudará esse quadro? Sim, claro. Quando tiver a regulamentação, investiremos mais no Brasil. Traremos estruturas de tecnologia, que será importante para a geração de empregos e de transferência de conhecimento. Queremos uma relação de longo prazo com o país.
Qual o tamanho da Galera.Bet hoje no Brasil? Começamos em janeiro do ano passado e hoje contamos com 2,5 milhões de usuários na plataforma.
O governo Lula pretende cobrar uma outorga de cerca de 30 milhões de reais para que as empresas possam funcionar. Esse valor vai reduzir em até 90% a quantidade de sites que atuam no país. As estimativas variam de 1 000 a 4 000 companhias. A possível redução é boa ou ruim para o mercado? O mercado precisa quebrar paradigmas e tem que demonstrar que a régua vai trazer bons operadores, que possam responder pelos desafios. Tem que ter empresas que tenham boa fé, mas que tenham competência técnica para tal. É importante ter equilíbrio para ter concorrência e, com isso, beneficiar os usuários. Mas também é importante não ter regras muito rígidas, matando o segmento no nascedouro e criando um mercado paralelo.
Um dos grandes obstáculos que o setor de jogos em geral enfrenta é sobre a questão da lavagem de dinheiro. O governo Lula pretende criar mecanismos e regras claras para o combate a esse tipo de crime. É suficiente? O combate à lavagem de dinheiro é uma bandeira importante e precisamos combater também o estigma que possa haver em relação a isso. Seja demonstrando padrões de governança ou discutindo ilícitos e malfeitos. A legislação precisa refletir tudo isso. E é o que esperamos dela.
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