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PSD: Kassab promete manter aliança com PSDB

Primeiro ato político da legenda foi na Bahia; em São Paulo, vice-governador estava ao lado do prefeito no evento, na Assembleia Legislativa

Por Carolina Freitas - 21 mar 2011, 16h35

Diante de 300 apoiadores, Gilberto Kassab lançou nesta segunda-feira o Partido Social Democrático (PSD) em São Paulo. A legenda teve domingo seu primeiro ato político, na Bahia, e terá sua criação anunciada ainda em Goiás, Tocantins, Roraima, Minas Gerais e Rio de Janeiro ao longo dos próximos meses. No evento paulistano, Kassab flexibilizou o discurso em relação ao governo federal e disse que fará todo o esforço para manter a aliança com o PSDB em São Paulo.

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O vice-governador do estado, Guilherme Afif Domingos, aliado de Kassab na fundação do partido, apresentou os “12 mandamentos do PSD”, que servirão de diretrizes para a elaboração do programa da sigla. O trabalho será coordenado nacionalmente por Afif.

Os tópicos incluem defesa da liberdade, direito de propriedade, igualdade de oportunidade, sustentabilidade, transparência com o contribuinte, descentralização do governo e livre comércio – muito em comum com o DEM. “A diferença do PSD em relação ao DEM será a prática”, afirmou Afif quando questionado sobre as semelhanças de discurso.

Os líderes do novo partido querem distância do DEM, mas mostraram preocupação em manter a boa relação com o PSDB no estado. Democratas e tucanos tinham em São Paulo a mais firme aliança do país, graças à ligação entre Kassab e o ex-governador José Serra. “Minhas relações com Serra são inquebráveis. Onde ele estiver, eu estarei ao seu lado”, afirmou o prefeito. “Minha relação com o PSDB continua sólida e firme. Somos co-responsáveis pela eleição de Geraldo Alckmin e, portanto, pelo sucesso de seu governo.”

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Os dirigentes pretendem estar ao lado do PSDB nas eleições municipais de 2012. “Não acredito em confronto. Apostamos todas as fichas em trabalhar em um projeto convergente”, disse Afif. “Nossa dissidência não se deu com o PSDB, mas com o DEM.” A intenção, no entanto, é ter um candidato próprio na cabeça de chapa. São cotados para concorrer pelo PSD Afif Domingos e os secretários estadual Francisco Vidal Luna e municipal Eduardo Jorge.

Nem oposição, nem situação – Para saber a posição do PSD no espectro político brasileiro será preciso aguardar a atuação de seus parlamentares e chefes de executivo na política nacional. Na largada, os líderes evitaram ao máximo declarar o posicionamento do partido. Todas as perguntas eram respondidas com um conveniente “a favor do que for bom para o Brasil e contra o que for ruim” ou, como resumiu Kassab: “Não existe partido de esquerda ou de direita. Existe partido pra frente.”

O prefeito colocou sua posição favorável à presidente Dilma Rousseff como uma causa e não uma consequência de sua mudança de partido. “Estou ao lado dos que torcem para o sucesso da presidenta Dilma. Essa aproximação sempre existiu. E essa é a razão da minha saída do DEM. Sinto-me desconfortável num partido que quer votar sempre contra só porque é contra.” Kassab classificou a nova legenda como “independente”. O ex-governador Claudio Lembo, do alto de seus 76 anos, resumiu: “Queremos ser novos.”

A dificuldade de esclarecer a posição ideológica do PSD originou definições curiosas, como a da ex-deputada, ex-PSDB, ex-PHS e agora ex-DEM Zulaiê Cobra. “Somos uma oposição diferente. Isso aí de direita e esquerda não existe mais.” Zulaiê assinou a lista de adesão ao partido, ao lado de outros 14 políticos, entre prefeitos, deputados estaduais e municipais, vereadores e sem-mandatos. Outras dezenas de pessoas que prestigiavam a cerimônia assinaram a lista ao final do evento.

Nada de fusão – Apesar do plano de Kassab de fundir o PSD com o PSB após as eleições de 2012, a intenção foi, naturalmente, negada oficialmente. “Não faremos fusão”, disse o prefeito. “Fomos convidados por duas legendas respeitáveis, o PMDB e o PSB, e definimos que o partido caminhará com suas próprias pernas.”

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