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PSD ‘converge com PT em alguns aspectos’, diz Kassab

Por Anne Warth

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, disse hoje que seu partido, o PSD, é “de centro”, mas tem convergência “em alguns aspectos” com o PT. Segundo Kassab, isso pode ser verificado em diversos municípios do País, onde as legendas mantêm alianças. “O PSD é um partido de centro, e tem convergência em alguns aspectos com o PT, sim, tanto é que temos diversas alianças em diversos municípios brasileiros”, afirmou.

Evasivo, Kassab disse que a prioridade do PSD é lançar candidatura própria para a prefeitura da capital paulista, mas ressaltou que o partido não descarta a possibilidade de formar alianças, seja com PT, que já definiu o nome do ex-ministro da Educação Fernando Haddad, seja com o PSDB, que tem quatro nomes como pré-candidatos: Andrea Matarazzo, Ricardo Tripoli, Bruno Covas e José Aníbal.

“Guilherme Afif Domingos (vice-governador de São Paulo e filiado ao PSD) é nosso candidato natural”, afirmou Kassab. “Se identificarmos a impossibilidade, até pela construção que temos no partido, ainda nascente, é evidente que o partido vai passar a analisar alianças possíveis, em que possamos apoiar os candidatos que integrarão as alianças. Isso não exclui o PT e também não exclui o PSDB. Vamos analisar com muita cautela, cuidado e transparência para garantir que o que estará sendo discutido é o futuro de São Paulo, não o futuro do partido.”

O candidato a ser apoiado, ainda segundo Kassab, será aquele com as melhores condições para resolver problemas ainda não solucionados na cidade, e não simplesmente aquele que estiver “disposto” a assumir a função. Nesse contexto de indefinição, Kassab conseguiu a proeza de receber elogios de todos os lados na cerimônia de 458 anos de São Paulo: PT, PSDB e PMDB, que estão em negociações com o PSD para formar uma aliança na disputa.

O prefeito, nas palavras da presidente Dilma Rousseff, foi mais uma vez “capaz de agregar e criar vínculos fraternos e republicanos com pessoas das mais diferenciadas”. De FHC, “um carioca paulista”, segundo sua própria definição, ouviu: “Queria agradecer muito ao prefeito Kassab, que tem, entre outras virtudes, a de não esquecer os amigos, mesmo quando os amigos já estão velhinhos e quase no ocaso”, afirmou. Para o vice-presidente Michel Temer (PMDB), Kassab teve a “sabedoria de selecionar enormemente as figuras que ganham a Medalha 25 de Janeiro”.

Coube ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fazer a única referência ao ex-governador José Serra, também presente ao evento que homenageou Dilma, FHC e Alckmin. “Serra sempre lembra que São Paulo é a terra onde japonês fala português com sotaque italiano”, afirmou Alckmin.

Em entrevista à revista “The Economist” desta semana, FHC disse que o senador Aécio Neves (MG) é o candidato natural do PSDB à Presidência da República em 2014. No evento de hoje, não mencionou o nome de Serra e limitou-se a cumprimentar, em seu discurso,”autoridades e ex-governadores”.

No ano passado, a Medalha 25 de Janeiro foi dada por Kassab ao ex-vice-presidente José Alencar. Em 2010, receberam a medalha o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então governador José Serra, que disputou e perdeu a eleição presidencial para Dilma.