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População de Santa Maria luta para não deixar a tragédia cair no esquecimento

Para marcar aniversário do incêndio da boate Kiss, cidade terá ato ecumênico e evento para discutir como evitar mortes em casas noturnas

Por Alexandra Zanela e Carlos Guilherme Ferreira 23 jan 2014, 15h51

Santa Maria será, por muito tempo, uma cidade marcada pela lembrança da trágica noite de 27 de janeiro de 2013. A aproximação do aniversário de um ano do incêndio na boate Kiss une moradores, famílias de vítimas e autoridades locais para relembrar o episódio mais triste da história do município, mas também para tentar reavivar a mensagem de que algo precisa mudar na forma como são administrados os espaços de grande reunião de público. Entre vários eventos programados para marcar o primeiro ano da tragédia, um deverá ser especialmente difícil para as famílias: às 20h do dia 27, um bumbo vai ser martelado 242 vezes, simultaneamente ao acionamento dos sinos na Praça Saldanha Marinho, no centro. As batidas lembrarão cada um dos mortos na casa noturna.

A população de Santa Maria e das cidades vizinhas tenta, há um ano, dar continuidade à vida em um local repleto de jovens, pela presença das universidades. Mas não deixar a catástrofe cair no esquecimento é uma preocupação permanente para Adherbal Ferreira, presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM).

A associação das vítimas também organiza a primeira edição do Congresso Internacional Novos Caminhos, voltado para o debate de causas e consequências da tragédia. “É uma data que não tem de ser esquecida. O congresso é uma forma de apresentar uma resposta à sociedade. Afinal, até agora, não recebemos essa resposta do poder público”, afirma Ferreira.

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O congresso será realizado no prédio 1 do Centro Universitário Franciscano (Unifra), na Rua dos Andradas – a mesma da Kiss. Os organizadores pretendem abordar aspectos sociais e jurídicos da tragédia, e tratar da prevenção de acidentes. Segundo a organização, são esperadas cercas de 500 pessoas para o encontro. Foram convidados participantes dos Estados Unidos e da Argentina, onde houve tragédias semelhantes nos últimos anos. Os incêndios nas casas noturnas República Cromañón, em Buenos Aires, e The Station, no Estado americano de Rhode Island, são casos famosos de incêndios em casas noturnas.

Logo na abertura do congresso, na manhã do dia 25, Ferreira lerá um discurso enviado pelo diretor do Centro de Excelência para Redução de Desastres da Organização das Nações Unidas (ONU), David Stevens. Mais tarde, haverá a palestra de um consultor do Programa Volvo de Segurança no Trânsito. Na manhã seguinte, dia 26, sobreviventes da tragédia vão relatar o drama daquela noite.

No dia 27, um ato cívico tomará o campus da Universidade Federal de Santa Maria, local de estudo de grande parte dos mortos da Kiss. Haverá apresentação de bandas e de um documentário antes do deslocamento para a Praça Saldanha Marinho, às 16h – que não será em caminhada devido aos mais de 10 quilômetros entre o campus e o centro de Santa Maria, e também, ao calor implacável do verão. Na praça, novas atrações musicais e cívicas vão preparar o público para o ato ecumênico.

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