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Polícia estuda exumar corpo de antigo morador para solucionar caso de família morta

Há três meses, homem de 23 anos faleceu na mesma casa de Ferraz de Vasconcelos onde mãe e quatro filhos foram encontrados mortos; polícia investiga se óbitos foram causados por vazamento de gás

A Polícia Civil estuda pedir a exumação do corpo de Lucas Nascimento, antigo inquilino do apartamento onde cinco pessoas foram encontradas mortas, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Ele faleceu no mesmo local no dia 3 de junho. O exame necroscópico deve esclarecer se o óbito foi causado por um vazamento de gás. Uma análise preliminar de peritos do Instituto de Criminalística constatou uma falha no sistema de escape de materiais tóxicos, como monóxido de carbono, no aquecedor do chuveiro do apartamento.

A investigação trabalha com duas hipóteses para solucionar o caso. A primeira indica que Dina Vieira da Silva, de 42 anos, e seus quatro filhos – de 7,11,12 e 16 anos – foram mortos envenenados após comerem um bolo e tomarem um suco supostamente contaminados. A segunda aponta que eles inalaram gás tóxico liberado do aquecedor do banheiro e morreram asfixiados. A Polícia Civil espera a conclusão dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) para elucidar a causa das mortes.

Os corpos foram encontrados em 17 de setembro. Não havia sinais de arrombamento na casa nem de violência. No chão do imóvel havia fezes e vômito. Segundo os peritos, diarreia não é um sintoma de sufocamento por gás.

Histórico – Dina havia se mudado para o apartamento com a família há menos de uma semana. Antes dela, morava na residência o casal Lucas Nascimento, de 23 anos, e Viviane Nascimento, de 20. Segundo o relato de Viviane, na manhã do dia 3 de junho, ela acordou e viu que o marido estava morto, com vômito sobre o corpo. Eles haviam acabado de se casar e Viviane estava grávida de sete meses. Dias depois, a jovem perdeu o bebê. O caso foi registrado na polícia como morte suspeita.

Os corpos da família de Dina foram encontrados por três pessoas: o namorado dela, o boliviano Alex Guinones Pedraza, o vizinho Daniel Régis e o subsíndico do condomínio. Eles arrombaram a porta da casa após verem o corpo das meninas mais novas na sala. Régis afirmou ter sentido cheiro de gás quando entrou na casa.

No dia seguinte, a Justiça pediu a prisão temporária do companheiro de Dina. Ela havia registrado três boletins de ocorrência denunciando Pedraza por agressão. No velório da família, os ex-maridos de Dina confirmaram que o casal tinha uma relação conturbada.

A advogada do boliviano, Patrícia Veiga, ressalta a inocência dele. Segundo a polícia, a prisão foi solicitada porque ele se contradisse em algumas questões levantadas em seu depoimento. A família de Pedraza disse que ele sofria de alcoolismo e realmente tinha um relacionamento conflituoso com a namorada.

(Com Estadão Conteúdo)