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Pesquisas e projetos já preparam o Brasil para o novo cenário

Por Da Redação
9 fev 2009, 07h39

Ao contrário do que dizia o beato Antonio Conselheiro no pequeno vilarejo de Canudos, no século XIX, o sertão não vai virar mar. De acordo com previsões baseadas nos modelos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a elevação da temperatura da Terra nas próximas décadas castigará ainda mais o sertão nordestino e limitará as áreas de cultivo. Mas não será apenas o Nordeste que sofrerá as consequências do aquecimento global. Conforme o Ministério da Agricultura, o Brasil tem atualmente cerca de 220 projetos em andamento espalhados pelo país para adaptar a produção agrícola das várias regiões à nova realidade.

Um desses projetos está sendo desenvolvido pela pesquisadora Vânia Moda Cirino, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR). Ela lançou cinco variáveis de feijão mais resistentes à seca e ao calor desde 1997 e que já chegam à mesa do brasileiro. “A pesquisa começou depois de percebermos, a partir do início dos anos 1990, uma queda no rendimento das lavouras de feijão ano após ano, em virtude da elevação da temperatura e do déficit hídrico”, explica ela em entrevista a VEJA.com.

Segundo Vânia, as variáveis mais antigas de feijão apresentavam uma redução de rendimento total de grãos entre 60% e 70% quando as temperaturas noturnas chegavam próximas dos 30 graus. Com as novas variáveis, essa redução de rendimento caiu para em torno de 30% e 40% e a tolerância da plantão passou para até 32 graus de temperatura. “O ideal seria um material que não tivesse redução de rendimento, mas, em virtude das temperaturas em elevação, isso ainda não é possível”, diz Vânia. Ela adianta que novos estudos estão sendo conduzidos para reduzir ainda mais essas perdas por meio de técnicas de genética molecular, para identificar o gene de tolerância à seca. “Em 2010, vamos colocar no mercado mais duas variáveis de feijão preto e uma de feijão carioca ainda mais resistentes que as anteriores”, antecipa.

Resistência – O Brasil cultiva 4 milhões de hectares de feijão e consome as 3 milhões de toneladas produzidas. Ainda importa o grão da Argentina, o quarto maior exportador de feijão do mundo, só atrás de China, Mianmar e Estados Unidos. Se depender da pesquisadora, esse quadro pode mudar e o Brasil pode tirar proveito das novas variáveis mais resistentes ao calor e à seca. “Estamos desenvolvendo variedades de feijão que são mais consumidos na Europa, Ásia e Estados Unidos e com maior resistência à pragas e aos imprevistos da mudança climática”, afirma Vânia.

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Uma dessas variedades tipo exportação foi lançada 2008, mas, por enquanto, sua plantação ainda é incipiente. “São grãos maiores que os nossos e podem ser branco, vermelho ou rajado pintado, e com 25% a mais de proteína”, explica a pesquisadora. Ela anuncia para 2010 o lançamento de mais duas variáveis desse novo tipo de “feijão gourmet”, cujo quilo custa cerca de 10 reais.

(Por Luiz de França)

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