Os obstáculos no caminho da nova força armada do Rio
Falta de integração com a polícia e atuação limitada a algumas áreas podem impactar resultados
Principal aposta do prefeito Eduardo Paes (PSD) para catapultá-lo ao governo do Rio de Janeiro, a nova Força Municipal, que já circula em áreas do Centro e da Zona Sul da capital, tem desafios de ordem prática que podem não atingir o efeito pretendido. Desde o domingo, 15, homens armados com pistolas passaram a reforçar o patrulhamento ostensivo, mas a falta de integração com outras polícias pode limitar o efeito dos instrumentos de repressão ao crime, destacam especialistas. “O Rio precisa não só de uma força atuante em cima da mancha criminal: é necessário um plano estratégico de segurança para a cidade. Se não há bom entendimento com a PM e uma coordenação geral, os resultados serão pontuais em locais selecionados”, avalia o ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho.
Embora reconheça boa intenção na medida, o ex-coronel da PM, que passou a se dedicar a estudos de sucesso na área da segurança pública mundo afora, diz que há risco de conflitos entre a nova força e a polícia, principalmente em relação a responsabilidades sobre ocorrências. A ausência de comunicação entre os dois efetivos também pode colocar os guardas em perigo durante situações críticas. “Num momento de crise, com criminosos entrando em confronto com novatos, é preciso gente experiente. E é a PM que deve apoiar de imediato. A força é mais uma solução, mas carece de um trabalho em conjunto”, diz Silva Filho.
A nova divisão de elite da Guarda Municipal conta com uma central de monitoramento própria e tem como estratégia atuar em locais de maior incidência de crimes. A tropa começou pela região da Rodoviária do Rio, do Terminal Gentileza e da Estação Leopoldina e pelo entorno do Jardim de Alah, entre os bairros de Ipanema e Leblon. O comando afirma já ter o mapeamento de outros 20 locais, incluindo pontos na Tijuca, na Zona Norte.
Para o ex-secretário nacional de Segurança, o impacto eleitoral dessa iniciativa na cidade também é limitado: “Ela serve como uma amostra do que o candidato pode fazer. Só que, fora dos bairros selecionados, não vai fazer a cabeça de toda uma população amedrontada. Pela Constituição, todo mundo tem direito à segurança. E os moradores vão se perguntar: qual é o meu lugar nessa fila?”.







