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O recado do chefão do Comando Vermelho para o filho, Oruam

Rapper teve o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro e, no momento, é considerado foragido

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 fev 2026, 11h33 • Atualizado em 24 fev 2026, 12h07
  • Em carta, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, reconheceu que o seu filho, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, “tem que pagar pelo que fez”. Os documentos foram enviados ao advogado de Marcinho, Siro Darlan, e foram divulgados nesta terça-feira, 24, pelo O Globo. Oruam teve o habeas corpus revogado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro, após 66 violações à tornozeleira eletrônica. No momento, é considerado foragido.

    O artista responde a duas tentativas de homicídio qualificado por ter lançado pedras contra policiais durante uma operação no ano passado. Ele também é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. Foi preso três vezes no ano passado. Em setembro, ficou 69 dias detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Quando foi solto, publicou versos em defesa própria nas redes, como: “O Estado massacra demais / Prenderam só um menino que estava parecido com o pai”.

    Na carta, Marcinho disse que lamenta “muito por tudo que ele (Oruam) está passando, porém, ele também não vigiou, né?”. Ele, contudo, destacou que o rapper deve responder apenas aos crimes que, de fato, cometeu e “não por acusações levianas e armas portadas como estão intentando fazer com o menino”, argumentando que isso “fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade a imputabilidade do direito mais gravoso do que a pessoa cometeu”.

    “É de luzidia evidência jurídica que meu filho errou, e não abono sua conduta. Ele tem que pagar pelo que fez. Entretanto, não é justo, e muito menos escorreito, intentarem atribuir a ele coisas nas quais ele não fez. Podem aqueles que se dizem defensores da lei, da ética e da sociedade fazer injustiça em nome da lei? Enfim, Deus sabe de todas as coisas”, acrescentou em outro trecho.

    + Quem é Oruam, rapper foragido após mais de 60 violações à tornozeleira eletrônica

    Relembre o caso

    Em julho do ano passado, agentes foram até a casa do cantor para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor, acusado de atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas, que estava no local. Segundo a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa, um dos maiores ladrões de veículos do estado e o segurança pessoal do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca.

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    Na ocasião, Oruam teria incitado a resistência policial ao lado de cerca de oito pessoas. As testemunhas relataram que o grupo lançou pedras contra os agentes, lesionando o policial civil Alexandre Alves Ferraz — que aparece ferido nas imagens anexadas aos autos — e danificando uma viatura. A ofensiva permitiu que o adolescente, foragido, escapasse do cerco.

    Marcinho, preso há quase três décadas e chefe histórico do Comando Vermelho (CV), também afirmou que todos os seus filhos cresceram na Igreja e apontou que Oruam “era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde”. Ele, no entanto, ponderou que “é insofismável que o sucesso o fez tirar os pés do chão um pouco e se perder” e disse que espera “que o cativeiro sirva de reflexão para ele se apegar de novo a Deus, como fazia quando era menino, e procurar a sua melhora”.

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