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O medo de encontrar amigos

A casa onde Jonathan vivia com os avós e outro irmão, de apenas 12 anos, fora engolida pela lama. Agora, ele procura sinais de vida no meio da tragédia

Por Guilherme Venaglia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 fev 2019, 16h47 • Atualizado em 1 fev 2019, 17h30
  • No momento em que a barragem da mina Córrego do Feijão estourou, Jonathan Wilker Pedrosa de Andrade, de 28 anos, estava no centro de Brumadinho, na empresa onde trabalha confeccionando cartazes e outdoors. Um irmão o chamou pelo celular para avisar, desesperado, que ouvira da vizinhança que a casa onde Jonathan vive com os avós e outro irmão, de apenas 12 anos, fora engolida pela lama. Ela fica no Parque da Cachoeira, uma das áreas atingidas pelo rompimento da barragem.

    “Só descobri a gravidade quando voltava e vi a destruição no caminho”, relembra Jonathan. Quando ele chegou, deu-se a imagem aterradora: o lodaçal invadira a casa por portas e janelas. O quintal tinha sido completamente tomado. A moradia está interditada, mas as paredes seguem de pé.

    Da pequena casa construída ao lado, que o avô alugava e da qual extraía um complemento de renda que garantia alguma dignidade e o tratamento de enfisema pulmonar, não sobrou nada. “Foram 25 anos para construir e 25 segundos para acabar com tudo”, lamenta Jonathan. “Meu avô está muito aéreo, quieto, e nós temos receio de que ele sofra alguma coisa.”

    Além do avô, a avó e o irmão de 12 anos conseguiram fugir da casa a tempo. O cotidiano, agora, mudou inteiramente. Já não se trabalha. Trata-se apenas de sobreviver e procurar sinais de vida, ou de morte. “Eu não conseguiria ficar parado com tudo isso, mas tenho medo de encontrar corpos de amigos”, diz. É provável que encontre. “É bastante difícil, é doloroso, mas vamos continuar o trabalho. As pessoas merecem poder enterrar seus familiares.”

    Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2019, edição nº 2620

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