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‘Não fui eu, não sei quem foi’, diz Rugai sobre morte do pai

Gil Rugai foi interrogado pelo juiz, negou ter assassinado o pai e a madrasta a tiros e se recusou a responder ao promotor. Sentença sairá nesta sexta-feira

Por Luciano Bottini Filho 21 fev 2013, 21h24

No quarto dia de julgamento, Gil Rugai falou pela primeira vez diante do júri, alegou inocência e se recusou a responder aos questionamentos do Ministério Público. Ele foi denunciado pela morte do pai, Luís Carlos Rugai, e da madrasta, Alessandra Troitino, em uma casa na capital paulista em 2004. De acordo com a acusação, Rugai foi flagrado em um esquema de desvio de dinheiro da produtora de vídeos do pai, o que motivou o crime. A sentença deverá ser dada pelo júri nesta sexta-feira.

No interrogatório, que durou cerca de três horas, o réu admitiu ter sido demitido “pelo menos dez vezes” da empresa do pai, mas negou a autoria do crime. “Não fui eu, não sei quem foi (o assassino)”, disse ao juiz.

Já às perguntas do promotor Rogério Zagallo, Rugai foi aconselhado pela defesa a não responder. “Você está sendo usado pela promotoria”, afirmou o advogado Marcelo Feller. Nesse momento, o réu pediu para ir ao banheiro, e a sessão foi interrompida. No retorno, o promotor pediu ao juiz que registrasse em ata as perguntas que faria ao réu, mas o pleito foi recusado.

Relação com o pai – Gil Rugai se referiu a Luís Carlos sempre como “papai” e o descreveu como “um chefe rígido na empresa, que demitia as pessoas com facilidade”. Rugai disse que foi afastado da produtora várias vezes, por cometer erros no trabalho, mas que, antes do crime, havia se desligado por vontade própria da produtora.

A defesa apresentou ao júri uma prova desconhecida de Gil Rugai: o rastreamento de chamadas do seu celular antes das mortes. Um funcionário da empresa disse à polícia que o réu brigou com o pai em uma reunião poucos dias antes do crime. No interrogatório, a defesa mostrou o rastreamento de uma chamada que coloca Rugai em outro local no dia e horário da reunião em que teria havido o desentendimento com a vítima. A ligação teria sido feita da empresa de Rugai, nos Jardins, para a produtora do pai, em Perdizes. Ambos teriam se encontrado, mais tarde, em um restaurante. “Você deveria ter mostrado isso antes. Eu teria ficado aliviado”, disse Rugai ao advogado.

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Inocência – Rugai contou ao júri sua versão sobre a noite do crime. Disse que saiu de um encontro com uma amiga e foi sozinho a um shopping na região central de São Paulo, por volta das 21h30, horário das mortes, segundo a investigação. Sua intenção era assistir a um filme, mas, por causa da fila, teria desistido e rumado para sua produtora, a MTK Comunicação, no bairro Jardins, Zona Oeste paulista. De lá, Rugai disse ter feito uma ligação para outra amiga, com quem saiu para jantar.

A acusação diz, no entanto, que Rugai chegou à empresa depois das 22h e nunca passou pelo cinema . No julgamento, um vigia reconheceu o réu como uma das duas pessoas que saíram da casa das vítimas depois dos disparos na noite do crime.

Rugai também afirmou que não sabia a origem da lesão no pé identificada pela perícia no inquérito. A acusação tenta demonstrar que uma marca de sapato na porta do quarto onde foi encontrado o corpo do pai do réu era de um chute dado pelo filho. “Eu não chutei aquela porta, eu não estava lá naquela noite”, afirmou Rugai.

Rugai também respondeu perguntas do juiz Adilson Simoni sobre alguns objetos encontrados em seu quarto, como seringas com sangue e suásticas. “Não sou estranho, mas a imprensa falou tanto que sou, que fiquei até com essa dúvida.” Segundo ele, o material nazista fazia parte de um trabalho universitário sobre a Segunda Guerra Mundial, e o sangue, que é dele, seria um teste “infantil” que resolver fazer quando teve que aplicar medicamentos na madrasta. “Devia ter feito o exercício e descartado (as seringas)”, disse.

Sobre as provas de que teria feito um curso de tiro, o réu disse que fez vários outros cursos ao longo da vida, como rafting, arco e flecha, culinária e mergulho. “Papai estimulava tudo que fosse longe da igreja”, disse. Além disso, ele declarou ter noções de inglês, espanhol, latim e grego clássico e bíblico. Rugai cursou quase dois anos de Teologia, mas explicou que nunca foi seminarista, embora tivesse intenção de ser padre.

No quarto dia de audiências do júri, foram também ouvidas as três últimas testemunhas do processo, convocadas pelo juiz: o ex-sócio de Rugai, Rudi Otto, o motorista do vizinho do casal e um vigia da rua onde ocorreu o crime. Para a próxima sessão, na manhã de sexta, estão previstos a sustentação oral da defesa e acusação e, por fim, a sentença.

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