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MPF vê ligação de operador preso em Portugal com Zelada

Segundo procuradores do MPF, Raul Schmidt Felippe Júnior pode fornecer mais informações sobre como PMDB atuava na diretoria Internacional da Petrobras

Por Estadão Conteúdo - 5 fev 2018, 10h13

Preso sábado em Portugal, Raul Schmidt Felippe Júnior, apontado como operador de propinas pelo Ministério Público Federal (MPF), poderá, segundo procuradores, fornecer mais informações sobre como o PMDB atuava na diretoria Internacional da Petrobras. Segundo a Procuradoria, Schmidt é muito próximo do ex-diretor da estatal responsável pela área, Jorge Zelada.

Preso desde julho de 2015, quando foi alvo da 15ª fase da Lava Jato, a Conexão Mônaco, Zelada teria sido nomeado ao cargo com a anuência de parlamentares do PMDB.

Réu em duas ações na operação, Schmidt era procurado em Portugal desde o fim de dezembro de 2017, quando seu processo de extradição para o Brasil foi concluído pela Justiça portuguesa. Schmidt chegou a ser preso em março de 2016 na 26ª fase da Lava Jato (a Polimento), mas foi solto pelas autoridades de Portugal — onde mora e tem cidadania.

Na Lava Jato, ele apareceu nas investigações após o principado de Mônaco enviar material aos procuradores de Curitiba com suas movimentações financeiras. O operador é apontado como beneficiário econômico da empresa Atlas Asset, offshore sediada no Panamá, cuja conta, a exemplo do que ocorreu com Zelada e com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, foi aberta no Julius Baer Bank.

Citação

Uma suposta preocupação com o avanço da Lava Jato sobre o ex-diretor Zelada e seus operadores chegou a ser citada na investigação do ex-senador petista Delcídio do Amaral (PT).

Na gravação feita por Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró (antecessor de Zelada na Petrobras), o ex-senador chegou a afirmar que o então vice-presidente Michel Temer (PMDB) teria conversado com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações envolvendo Zelada.

“Segundo os documentos, Raul Schmidt seria um amigo de longa data de Jorge Zelada. Eles teriam possuído um apartamento em comum nos anos de 2012 e 2013 e Zelada teria posteriormente comprado a parte de seu amigo”, diz o pedido de prisão do MPF contra o operador. De acordo com o MPF, Schmidt e Zelada ainda seriam sócios na empresa TVP Solar, sediada em Genebra, na Suíça.

Além da relação de amizade e da sociedade, diz o MPF, Schmidt teria atuado para a empresa norueguesa Sevan Marine, que manteve contratos com as áreas Internacional e de Serviços da Petrobras — esta comandada por Renato Duque, indicado do PT. O operador também teria atuado em favor do estaleiro coreano Samsung, responsável pela construção de navios-sonda para a estatal.

Defesa

O advogado de Schmidt no Brasil, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a extradição de seu cliente é “absolutamente inconstitucional”. “Esta extradição é um estupro nas relação entre Brasil e Portugal”, afirmou Kakay, para quem Portugal não pode extraditar um português nato. A reportagem  não conseguiu ontem contato com Renato Moraes, advogado de Jorge Zelada.

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