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Manifestantes entram em confronto com a polícia em frente ao Congresso

Ato é organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) contra projeto de terceirização que entrou na pauta do plenário da Câmara nesta terça-feira

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília 7 abr 2015, 15h59

Um grupo de manifestantes, que protestava em frente ao Congresso Nacional contra a votação do projeto de terceirização, entrou em confronto com a Polícia Militar na tarde desta terça-feira em Brasília. Os policiais fizeram uma barreira humana para evitar a entrada das pessoas, mas muitos baderneiros, com paus de bandeiras, avançaram sobre os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral e spray de pimenta. Houve registro de protestos em 17 estados e no Distrito Federal

As manifestações foram organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades sindicais, convacadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto de terceirização teve aprovada a tramitação em urgência no fim da noite desta terça-feira na Câmara, enquanto o governo tentava adiar para o final do mês a apreciação da proposta.

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Detidos – Um pequeno grupo de manifestantes conseguiu romper a barreira formada por policiais militares e policiais legislativos. Entraram na área das comissões da Câmara, mas acabaram contidos. O protesto em Brasília deixou oito pessoas feridas e teve quatro manifestantes detidos.

Na confusão na Câmara, o ex-líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), foi atingido por spray de pimenta. O deputado Lincoln Portela (PR-MG) disse que foi agredido no protesto e protagonizou uma discussão com um manifestante. “Fui agredido. Isso não é trabalhador. É bandido”, reclamou o parlamentar.

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Entidades próximas ao governo como CUT, CTB e MST fizeram protestos nesta terça-feira em todo o país contra o projeto de lei que altera o sistema de contratação de profissionais terceirizados e pode ser votado nesta terça-feira na Câmara dos Deputados.

Mais protestos – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo, Adi dos Santos Lima, disse nesta terça-feira que a CUT já prepara novas rodadas de mobilização contra o PL 4330, que liberaliza a terceirização. A central acredita que o projeto tem chances de ser aprovado em primeira votação na Câmara dos Deputados nesta semana. Adi também deu um recado à presidente Dilma Rousseff caso a proposta chegue para sanção presidencial. “Se Dilma sancionar, vai ver a reação dos trabalhadores na rua. Ela tem que vetar ou vetar, não tem outra alternativa”, disse Adi, que havia repetido a crítica de que o governo relegou uma questão tão cara aos trabalhadores ao debate no Congresso Nacional.

Lima liderou uma passeata que reuniu algumas centenas de pessoas em São Paulo com objetivo de protestar contra a terceirização em atividades fim, como está no PL. Ele disse que o movimento não foi maior na capital paulista porque boa parte da mobilização foi deslocada para Brasília, com sindicalistas dos setores metalúrgico, bancário e químico.

“Como é votação em dois turnos, vamos fazer mobilizações bem maiores aqui e em Brasília. A sociedade precisa comprar essa briga, porque não são só os sindicalistas, esse projeto prejudica a classe trabalhadora como um todo”, disse Adi.

De acordo com Lima, com a terceirização de atividades fim, os trabalhadores podem ganhar de 30% a 40% menos e não terem os mesmos benefícios em relação aos contratos diretos com as empresas. A CUT alega também que as empresas conseguiriam burlar o cumprimento de pisos salariais das categorias.

O sindicalista admite que, neste momento, a perspectiva de alterar o projeto de lei de forma a evitar a terceirização de atividade fim não é positiva. Mas, ao longo dos próximos meses, acredita que o ônus político de um projeto que, segundo ele, é impopular vai pesar sobre os parlamentares.

(com Estadão Conteúdo)

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