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Júri será retomado com o depoimento do irmão de Eloá

Julgamento entra para o segundo dia. Irmão mais velho da vítima será a última testemunha de acusação a falar. Depois, serão ouvidas as dez de defesa

Por Da Redação 14 fev 2012, 06h28

O julgamento de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel em 2008, será retomado nesta terça-feira. Neste segundo dia de júri, o irmão mais velho da vítima, Ronickson Pimentel dos Santos, falará aos jurados, encerrando os depoimentos das testemunhas de acusação. A partir de então, serão ouvidas as dez testemunhas de defesa. A sessão tem início previsto para as 9 horas no Fórum de Santo André, no ABC Paulista.

Entenda o julgamento

  1. • Lindemberg Fernandes é acusado de doze crimes, entre eles o assassinato da ex-namorada Eloá Pimentel, de apenas 15 anos, em 2008. O julgamento deve durar três dias.
  2. • Etapas:

    – Os sete integrantes do júri popular são sorteados entre 25 moradores de Santo André pré-convocados.

  3. – Em seguida, são ouvidas as cinco testemunhas de acusação. Depois, as 14 testemunhas de defesa. Todas podem ser questionadas tanto pela defesa como pela acusação.
  4. – A fase seguinte é o interrogatório do réu. É a última etapa antes da abertura dos debates, com duas horas de exposição para cada lado (acusação e defesa). Há ainda a possibilidade de réplica e tréplica.
  5. – Os jurados se reúnem na sala secreta para discutir o caso e votar a sentença.
  6. – A juíza Milena Dias, que preside o caso, lê a sentença. Se condenado por todos os crimes, Lindemberg pode pegar de 50 a 100 anos de prisão. Pela lei brasileira, no entanto, 30 anos é o tempo máximo que alguém pode ficar preso.

A expectativa da acusação é que Ronickson dê detalhes a respeito do comportamento violento do réu, segundo a promotora Daniela Hashimoto. O assistente da acusação, Roberto Beraldo disse ao entrar no Fórum que o depoimento de Ronickson é fundamental, pois ele era amigo próximo de Lindemberg antes do crime. No primeiro dia de julgamento, o primeiro policial a negociar a rendição de Lindemberg, sargento Atos Antônio Valeriano, afirmou que o jovem ameaçou por diversas vezes atirar em Eloá e nos demais reféns e, depois, se matar. Durante as conversas, o PM chegou a ser alvejado pelo acusado. De acordo com o depoimento do policial, após o disparo, o acusado afirmou: “É para mostrar que não sou bonzinho.”

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A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, afirmou que, até o momento, o julgamento foi satisfatório e que não pretende alterar sua tática. “Lindemberg foi tratado com dignidade, respeitado por todos no tribunal”, disse. Sua estratégia é baseada no ataque à imprensa e à polícia.

José Beraldo fez questão de dizer que Lindemberg “é pior do que Nardoni”, pois é “frio, calculista e não esboça nenhuma reação”. “Ele foi lá para matar. É um psicopata que fica calmo ou agressivo quando lhe convém”, afirmou.

Entenda o caso – O caso Eloá foi o mais longo cárcere privado da história de São Paulo. Inconformado com o fim do namoro de três anos, no dia 13 de outubro de 2008, Lindemberg tomou como reféns a ex-namorada Eloá Pimentel e uma amiga dela, Nayara Rodrigues, ambas, na época, com 15 anos de idade. Outros dois colegas de Eloá também foram feitos refém, mas liberados após onze horas.

Por mais de 100 horas, Lindemberg usou o apartamento da família da ex-namorada em Santo André como cativeiro. Nesse período, chegou a libertar Nayara, mas a menina, a pedido do Gate voltou ao local e foi feita refém novamente.

A invasão do cativeiro pela polícia não foi bem sucedida. Os policiais disseram que entraram no apartamento após um tiro desferido por Lindemberg, que Nayara nega ter existido. A demora do Gate em romper a barricada armada pelo criminoso na entrada do imóvel permitiu que ele tivesse tempo de atirar contra as adolescentes, antes de ser dominado. Nayara foi atingida com um tiro no rosto, mas sobreviveu. Eloá morreu com um tiro na cabeça e outro na virilha.

(com reportagem de Branca Nunes)

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