Por que julgamento dos acusados de matar Bruno e Dom foi transferido para Manaus
Realização do júri de dois executores do crime, ocorrido em junho de 2022, foi transferido para garantir maior rapidez ao processo e independência aos jurados
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou o desaforamento (a transferência do local) do julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados como executores dos assassinatos do brasileiro Bruno Pereira e do britânico Dom Phillips, em junho de 2022, no extremo oeste do Amazonas. Com a decisão, o Tribunal do Júri deixa de ocorrer em Tabatinga (AM) e passa a ser realizado em Manaus, informou o Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira, 4.
Ao pedir o desaforamento, o MPF sustentou que a manutenção do julgamento em Tabatinga comprometia a duração razoável do processo. Agora, os jurados poderão ter maior independência. “O objetivo do Ministério Público ao pedir o desaforamento, a transferência do julgamento de Tabatinga para Manaus, foi para garantir celeridade ao processo, para que os executores sejam julgados pelo Tribunal do Júri o mais rápido possível”, disse o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal, autor do recurso acolhido pelo TRF-1. Ainda não há data definida para a realização do júri, mas, com a decisão judicial, o processo passa a tramitar em Manaus, ficando apto ao início da fase de julgamento, informou o MPF.
O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, no município de Atalaia do Norte (AM), quando visitavam comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari. Os corpos dos dois foram encontrados 10 dias após o crime. De acordo com as investigações, Bruno, que era funcionário licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), recebia ameaças constantes pelos trabalhos na região na defesa dos povos indígenas. Já Dom estava na região amazônica para apuração de uma reportagem sobre desmatamento na área para o jornal britânico The Guardian.
As investigações apontam que o brasileiro-peruano Ruben Dario Villar, conhecido como Colômbia, seria o mandante do crime. Ele ainda não tem data de julgamento. Nos próximos dias, ele será ouvido pela Justiça do Amazonas em audiência preliminar.





